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quinta-feira, 11 de abril de 2013

discotecando no blog:


então, então, sem mais delongas, um passeio pelo mundo colorido das periferias cheias de groove. música suingada, feita pelos mestiços daqui, dali, dacolá. É NÓIX.

e tem mais aqui.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

sobre os últimos acontecimentos:


sobre os últimos acontecimentos, não sei muito o que dizer. mas digo o que preciso, ou o que sinto que preciso dizer. após vários ônibus serem queimados em florianópolis, a única coisa que, de fato, atingiu a grande maioria da população, foi a virulência de amigos, familiares, conhecidos, via redes sociais. a grita dessa gente (nós mesmos?!) que acredita nos noticiários das grandes corporações midiáticas, é, quase sempre, o desabafo pouco articulado, cheio de clichês e de violência dos que votam mal, dos que acreditam no marketing mentiroso dos políticos corruptos que mantém (ou tentam manter) as coisas como sempre foram. no brasil, em santa catarina, na bervelly hills catarinense

(aliás, "nossa violência", embora mais branda, dialoga diretamente com aquela que recentemente desencadeou algo parecido com uma guerra civil em são paulo)

por mais que alguns de nós tentem se cercar apenas de "pessoas esclarecidas", é preciso admitir que todo mundo tem uma tia racista, um primo homofóbico ("enrustido"?!), ou alguém próximo que acha que "bandido" tem mais e que ser assassinado. esses raciocínios, quase sempre frutos de pouca informação, fazem parte do juízo de grande parte da população do nosso país. provavelmente, quem me lê agora pensa diferente, mas nós, se temos algo em comum, seríamos a exceção a regra neste caso

mas a questão é que liguei alguns dos últimos acontecimentos estampados nos jornais e passei a pensar em como não compartilho das indignações da maioria. daí, outra vez, me senti só e desesperançado. 

e por qual motivo? por não confiar na polícia, nem no ladrão. por não achar que a culpa seja do "crime organizado". por não concordar que neste caso, especificamente, existam vilões e mocinhos. mas, mais ainda. me sinto desesperançado por não concordar com a tentativa de se transformar um juiz brasileiro em herói nacional por conta da condenação de alguns políticos do partido que trouxe reais mudanças para a parte mais pobre da "nossa terra". por não acreditar que a conduta destes políticos, embora condenável, seja diferente dos da maioria (incluindo aí aquilo que chamamos de "elite"). por não acreditar na rede globo, na editora abril e na folha de são paulo, que apontam o dedo para um partido, mas ignoram os documentos apresentados contra outro grupo político, através do livro privataria tucana. a questão é que não confio no judiciário, não confio no congresso, no senado, e não confio na imprensa (DEFINITIVAMENTE). 

não sei nada sobre os últimos acontecimentos, mas sei que não gostaria de deixar de conviver com alguns dos que acham que bandido bom é bandido morto. mas, como acredito mais em mim e nos amigos que pensam parecido comigo que em qualquer instituição de meu país, gostaria, sim, que parte dos conhecidos que pensam diferente tentassem, ao invés desejar mortes, tornar as coisas um pouco melhores. se for para querer alguém morto, minha lista seria iniciada com governadores, juízes, jornalistas, etc. 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

noite parangolé:

hoje tem festa fodona? tem sim, senhor! ainda no rio, mando o convite aos que podem: no espaço do grupo teatro de anônimo, na fundição progresso (lapa), dentro da programação do p.e.r.i.f.é.r.i.c.o. (saiba mais aqui), acontece a edição de outubro das noites de parangolé. e daí?! daí que por ali teremos performances de talentosos artistas, música para ouvir, música para dançar e muito mais. tudo em clima de cabaré e circo, banhado por algo mezzo tropicalista, mezzo "o que vier eu traço"... 

mas não só, por lá apresento uma das minhas microperetas de bolso e discoteco junto com caco chagas (que ainda irá dar uma piradinha nas projeções...).

ou seja, vale vale vale (muito). 

(e amanhã tem ainda otto, lançando o novo álbum, e felipe cordeiro, fazendo o show de abertura, no circo voador, veja só!!!)

inspirado no rio, em suas belezas e na noite que se aproxima, preparei essa sequência para animar a sua tarde (em floripa ou na flórida, em bervely hills ou manguinhos...).


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

3 filmes:


são três, são diferentes, são bacanudos. três brasis em três momentos e abordagens. 

seguem os trailers, fica a dica.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

nas olimpíadas do rio de janeiro, madame é ex-my love:

reproduzo aqui um texto que fiz para a revista (digital) qualquer bobagem. uma pequena reflexão que voltou a minha cabeça depois que esbarrei em alguns comentários sobre a participação brasileira na cerimônia de encerramento das olimpíadas... achei bacana a presença de marisa monte, e do gari renato sorriso. houve quem não gostasse. nada mais natural. toda via, o que não se pode negar é que a grande maioria dos brasileiros se sinta representada na cerimônia que se dará por aqui em quatro anos. afinal, o rio e o brasil não são apenas a gente bonita da globo, o caetano veloso e o samba. somos isso tudo e muito mais. assim como londres é mais que arctic monkeys e sir paul mccartney, mas também as spice girls e o taio cruz...

(a canção-vídeo de divulgação acho que ilustra bem o que virá, ou poderá vir... veja aqui)

ao texto:


madame é ex-my love

Vladimir Safatle, articulista da revista Carta Capital escreveu há algumas semanas um texto chamado “A miséria da cultura”. Ali o autor dizia que a despeito da boa fase econômica e social que o Brasil vive, na área da cultura estamos “pobres”. Mais, o jornalista teoriza dizendo que isso se dá ao contrário do que houve em outro bom momento nosso: a virada da década de 1950 para a de 1960, quando juntamos democracia, via Juscelino, com índices de crescimento e poderosa movimentação cultural (cinema novo, bossa nova, poesia concreta). A despeito de um primeiro argumento contrário a sua afirmação: que só é possível avaliar aquela época através de um olhar distanciado, assim como só será possível dizer se hoje vivemos era tão miserável daqui alguns anos. Quis debater outro ponto, ligado ao meu foco de interesse: música popular (citada em seu texto). 

A questão primeira (em que não quero adentrar) é a de que o olhar do articulista não vai além daquilo que as grandes corporações midiáticas de nosso país nos querem empurrar (ou o que há de mais repetitivo e “comercial” em nosso cenário musical ou a combalida “MPB” de sempre: Gil, Caetano, Chico e outros poucos). Ou seja, uma certa miséria. Se Safatle conhecesse Céu, Tulipa Ruiz, Léo Cavalcanti, Criolo e Lucas Santanna (para ficar com apenas alguns nomes), manteria sua afirmação?! Duvido. Mas vou além, e, enfim, entro no assunto que pretendo desdobrar: o que há de mais vívido e rico na música brasileira em 2012 provavelmente é aquilo que o “articulista” chama miséria. O trabalho de artistas como Gaby Amarantos, Felipe Cordeiro, Mr. Catra, João Brasil, Michel Telo, Gang do Eletro e outros.

Sua fala, na verdade, diz mais sobre o local onde ele está, que sobre o objeto sobre o qual lança seu olhar.

Quando o jornalista Pedro Alexandre Sanches chamou a MPB (assim, com maiúsculas, sempre tão levada a sério) de “condomínio de luxo”, acertou na mosca. Nos acostumamos a um tipo de visão de bom gostismo ditado através da gente que freqüenta este lugar “diferenciado”. Foi a partir desta visão que o cânone de “nossa” música foi construído, incluindo uns e excluindo muitos outros. Acontece que hoje em dia, apesar da nova classe média, estes preconceitos e conceitos ainda determinam o que é o melhor para se ouvir. E o que é condomínio e favela, núcleo central da novela do Manoel Carlos e Empreguetes do sucesso Cheias de Charme. 

É justo neste ponto que quero chegar: que a despeito da moda, que passa(rá), a nova cara da música brasileira é mais arejada, mais festiva e menos séria, menos “cultural” e menos “MPB”. A MPB como sigla e seu significado surgiram em um momento difícil, sisudo, (o termo pegou após o AI-5 de 1968). Daí que, por causa de seu êxito, de ter se tornado “A” nossa música, ficou parecendo que tudo que fugisse a esse padrão, seria tachado de menor... Acontece que o som produzido pela grande maioria dos artistas citados acima, seja no Pará ou no Rio de Janeiro, onde estão as cenas mais ricas (em nuances e possibilidades) do pop do Brasil hoje, tem como eixo a festa, a alegria. Mais, mesmo sendo brasileiríssimas (por mesclarem tradições locais) são reflexo de uma revolução que acontece em todo o mundo. Uma revolução digital desencadeada pelo compartilhamento de softwares de produção musical. A partir deles, com apenas um computador, moços e moças das periferias de Luanda (Angola), Bogotá (Colômbia), Rio de Janeiro e Belém do Pará (Brasil), desenvolveram o kuduro, a eletro-cumbia, o tamborzão e o eletro-brega (ou eletro-melody) — para ficarmos com apenas alguns exemplos. Cenas poderosíssimas, que movimentam dinheiro e alimentam pistas em todo o mundo. E que produzem muita coisa boa e muita coisa ruim. Como não poderia deixar de ser. Assim também, num ambiente de festa periférica (ou de “desbunde” no gueto) surgiram há algumas décadas o maxixe, o lundu e o samba, ritmos que engendraram a “casta” MPB.

Em nosso país, atualmente, vemos a ascensão de muitos novos nomes, dentre estes destaco Gaby Amarantos. Dona de um repertório e de um carisma poderosos, a moça, saída de um dos bairros mais violentos de Belém, o Jurunas, tem uma bonita voz e um séquito de fãs. Ainda que possa ser devorada pela imprensa e pela massacrante exposição a que vem se sujeitando, terá sido a grande estrela musical de 2012. O que não é pouco. Seu recém lançado disco, Treme, vem repleto de belas canções, como Ex-mai love (aquela de um ex-amor que não vale nem 1’99 — como a MPB hoje em dia), e reflete a alegria de um Brasil que canta e é feliz. Independentemente de qualquer preconceito... Como já dizia um velho samba, depois transformado em bossa nova: “Madame diz que a raça não melhora / Que a vida piora, por causa do samba (...)/ Pra quê discutir com madame?”. A questão é que o Brasil de hoje canta outro refrão, que serve de recado para os “articulistas” mais ácidos: “Queria ver madame aqui no meu lugar”.


sábado, 21 de julho de 2012

racionais mc's - mil faces para um homem leal (marighella):

dizer que em 2012 os racionais mc's ainda mantém uma imagem de subversão, um tipo de tensão densa, de quase violência, é lhes dar um imenso crédito. merecem. mil faces para um homem leal (marighella), do novo disco, acaba de ganhar vídeo-clipe que potencializa a força da música. o que, definitivamente, não é pouco. ainda mais se pensarmos em como determinados modelos políticos parecem datados em nossos dias (será mesmo?).


incrível, mano brown hoje ainda consegue, sabe-se lá como, transmitir perigo a cada aparição sua. há algum outro músico, artista plástico, escritor, dramaturgo no brasil com imagem ao menos parecida? suponho que não. uma pena.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

madame não gosta que ninguém sambe:

via facebook a gente acaba se decepcionando com quem acha que conhece. nos últimos meses tenho feito um exercício diário de cancelar assinaturas de conhecidos e semi-desconhecidos que replicam preconceitos contra a música feita e amada pelos brasileiros mais humildes, fotos de animais estraçalhados, de crianças doentes ou de "bandidos" assassinados pela polícia, além de piadas racistas. triste. 

e triste pois não pretendo deixar de me relacionar com muitas destas pessoas. muito pelo contrário, gostaria, sim, de ajudar algumas delas a enxergar outras possibilidades. mas quem sou eu para fazer isso? incomoda ver que tanta gente torce pela violência da polícia ou por políticos corruptos. tudo muito sem reflexão, claro. o lugar comum, apenas.  

em que país vivemos? me pergunto (junto com mano brown - aqui). num país novo rico e cheio de perspectivas? ou num outro, atrasado, desigual e sem informação e educação. nos dois. infelizmente. quem dera pudesse ficar longe do brasil que vota em kassabcolombo e dário. que dá dinheiro a igrejas que disseminam o ódio (das cristãs, todas ou quase). que despreza homossexuais e negros e pobres. tenho medo desse país e dessa gente cheia de certeza, mas também sou uma delas, também sou parte disso. não?! 


essa facilidade de se manifestar através de um like ou de compartilhamento acabou por gerar alguns monstros... pior é quando, como se deu recentemente com o músico alegre correa, alguém que admiramos se mostra um cidadão pouco informado e deveras preconceituoso. o guitarrista afirmou, dentre outras coisas, que a música brasileira vai muito mal por conta do êxito de coisas como "funk carioca e o sertanejo universitário"... aquele blá-blá-blá sem pé, nem cabeça de quem aparentemente não conhece, ou esqueceu, a história do samba, da música negra. eu poderia até argumentar, mas para que discutir com madame? uma pena, mas no fim das contas, o que importa é que a música do povo está e continuará por aí independentemente de qualquer falácia (dentro ou fora do facebook).

o acontecido me lembrou um episódio do pernalonga (bugs bunny, opera). a partir dele é possível dizer que a produção mais, digamos, "comercial" que hoje incomoda os amantes da boa música, já os incomoda há muito tempo... o que muda, na verdade, é o que é boa música e o que é música mais "comercial". 

se esse vídeo não fizer ninguém mudar de ideia, paciência. pelo menos é divertido. gostou?! então, compartilhe... RÁ!!!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

magary lord:


li uma entrevista com magary lord em janeiro, na primeira edição da revista bequadro. gostei. achei interessante. ma esqueci. já em março, vi um moço e sua filha apresentando uma canção no programa esquenta. pirei, adorei. mas não liguei o nome a pessoa. foi só uns dias depois que fui atrás de quem eram pai e filha e pude entender: magary é uma das figuras mais interessantes da música brasileira deste 2012. o cara faz uma mistura homogenia de semba com algumas variações de música baiana (afoxé, axé, samba-reggae) e outros balanços brasileiros. é, no fundo, música pop preta, orgânica, suingada. esse reencontro com a áfrica, de onde vem o dna da produção musical daquela região e, por conseguinte, do brasil.

vale a pena ir atrás de canções como amorzinho, pessoal particular e os hits inventando moda e joelho (também gravada, com grande graça, pelo araketu). aliás, taí uma canção apaixonante, com seus versos leves, bem humorados: "eu me sinto massa, com chapéu de palha / (...) colar de negão, luva na mão / d'um jeito michael jackson / estranho, hein?!"...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

around the world, around the world (parte 2):

continuando do post anterior (), apresento algumas das tendências, possibilidades, que (provavelmente) formarão o fragmentado cenário musical de 2012, 2013 (mas que, a despeito da previsão, já fazem parte das nossas atuais realidades)... antes, porém, é interessante pensar algumas questões, como o fato do direito autoral estar em cheque por causa de modalidades de remix como o mashup e o edit (veja aqui o documentário rip! a remix manifesto). ou como a própria relação das pessoas com a música mudou em pouco mais de 10 anos por conta da popularização do compartilhamento de arquivos (e como isso "balançou" a indústria do disco e seu/nosso modo de ver e usar/comprar música, ou discos). melhor pro ouvinte, provavelmente...

adiante, juntemos rock, disco music e afoxé, ou b-52's e patrick hernandez, faith no more e odair josé, para ficar com apenas alguns anárquicos exemplos de mashup:


e, ainda, mais:

antes de seguir, um exemplo de edit com a faixa original (i wouldn't want to be like you) do grupo alan parsons project e a edição envenenada feita pelo duo carioca the twelves (aqui). outro edit poderá, além de aprofundar uma visão do tipo de recorte possível com essa modalidade de remix, nos apresentar ao moombahton. vá lá: o original vs. a versão 2011.


viremos o disco: que tal um pouco de kuduro e moombahton? os ritmos da moda, ao menos em lugares tão diferentes quanto as periferias de angola e do brasil (no caso do primeiro) ou as pistas "hypadas" de alguns países europeus e do méxico (como acontece com o segundo). sobre o kuduro é possível saber um pouco mais aqui, através do documentário fogo no museke, ou bebendo na fonte de artistas como dog murras, buraka som sistema, cabo snoop e outros. o moombahton (saiba mais aqui ou aqui), por sua vez, foi a onda de algumas pistas no último verão do hemisfério norte e tem nomes como (confira!) dave nada, dj javier estrada, dj erick rincon (ou, o 3ball mty, coletivo que junta este último aos também dj's otto e sheeqo beat), dentre outros, como atuais referências. tanto um ritmo quanto o outro ainda estão em fases embrionárias, embora o segundo, de tão novo, tenha muito mais chão pela frente. se continuará e/ou terá alguma relevância nos próximos verões, só o tempo dirá... independentemente disso, artistas e produtores como dillon francis, diplo e maluca ou nadastrom (nova empreitada de dave nada) continuarão tirando suas "casquinhas" dessa novidade... 



o brasil é protagonista no cenário musical deste início de década. claro que uma copa do mundo e uma olimpíada ajudam, mas o fato de ter uma diversidade musical tão grande e de vivermos em uma cultura aberta à geléia geral (mistura, colagem), são decisivos. coincidência ou não, oswald de andrade, o pai do antropofagismo como estratégia cultural, está em alta outra vez. o tropicalismo (filhote bastardo da teoria oswaldiana) pode ser visto, inclusive, como antecipador de alguns destes procedimentos tão contemporâneos (colagem, sobreposição, irreverência)... daí, que o movimento ganhou há alguns meses um tributo com o álbum red hot + rio 2 (que trás aloe blacc, john legendbeck e outros interpretando caetano velosotom zémutantes...). infelizmente, a coletânea, que vem repleta de nomes como céu, vanessa da matta, seu jorge, curumin e outros protagonistas do que há de mais moderno na mpb, deixou de fora as estrelas e as cenas periféricas de nosso país. uma pena, pois poderia ser interessante ouvir gente como gaby amarantos ou mr. catra apresentando suas versões para sucessos como aquele abraço. os dois artistas, ídolos (respectivamente) do tecno brega paraense e do tamborzão carioca, tem público dentro e fora do país, mas são representantes da música pop(ular) brasileira com um pouco menos de "prestígio", ainda... anteriormente chamado funk carioca, o tamborzão ou música eletrônica brasileira, recebe cada vez mais holofotes e não apenas por causa de gringos que se renderam ao estilo  diplo, black eyed peas, m.i.a.  — mas muito por conta do passeio around the world de brasileiros como deize tigrona, bonde do rolê, dj chernobyl (e muitos outros). o tecnobrega, por sua vez, ainda tem bastante "estrada pela frente", mas é possível que siga caminho parecido, vide os recentes êxitos de artistas como gang do eletro e banda uóum set apenas com faixas do estilo, disponibilizado recentemente por um dj catalão "hypado" é uma pista do que ainda pode vir por aí...

BREGA by el timbe  

vale a pena conferir o documentário brega s.a., de gustavo godinho, e não apenas pela oportunidade de conhecer um pouco da cena paraense, mas muito para entender as novas formas de distribuição e divulgação da música independente.


há ainda muita música bacana acontecendo fora dos domínios da indústria fonográfica. cenas, artistas e pequenos selos, de lugares como colômbia (bomba estereo), áfrica do sul (spoek mathambo), república dominicana (rita indiana y los misterios), dentre muitos outros, que dialogam com grandes festivais e clubes antenados dos u.s.a., inglaterra, alemanha, frança, espanha e japão. entre um ponto e outro, online (com vídeos e mp3's) ou através de shows e djs sets, está acontecendo a música de hoje e de amanhã — around the world, around the world, como diz a música do daft punk.

por fim, já que o post está um tanto quanto grandinho, volto na sequência para fechar o papo com algumas reflexões e links....

terça-feira, 8 de novembro de 2011

around the world, around the world (parte 1):

participei em setembro do (workshoptrends talking, edição floripa, e fiquei de enviar um texto para o site do projeto — que teve apresentações de profissionais de música, culinária, arquitetura, moda, marketing, a respeito dos atuais panoramas de suas áreas. o texto, aí de baixo, não é apenas sobre o cenário musical contemporâneo e o "mercado da música" e suas "tendências", mas sobre música popular e capitalismo em 2011 (minha fala acabou se configurando assim muito por conta de um outro trabalho que fiz no período, para uma editora que prepara um livro com entrevistas com alguns compositores de música erudita — que tem um tipo de visão BASTANTE crítica a respeito das manifestações pop). 


enfim, demorou, mas aí vai a primeira parte do "meu panorama". a segunda, com uma série de links e vídeos, já está para chegar.

______________________

Falar de “tendências” no mundo da música pop(ular) em fins de 2011 não é nada fácil. Vivemos uma realidade cada vez mais fragmentada, em que as possibilidades se sobrepõem e se atravessam e se reconfiguram em novos cenários quase que diariamente. Poderia se dizer que o capitalismo e  suas "garras pós-modernas" desmancham tudo que é sólido no ar? A questão é que uma resposta a essa pergunta importa menos que tentar entender que no fundo a música popular é, desde sempre, um espelho, reflexo, da vida cotidiana das pessoas.

Ao contrário da música erudita, feita por “grandes gênios”, que quase sempre necessitaram do apoio financeiro da igreja, da corte, da burguesia ou de subsídios governamentais, a música popular é fruto de artistas populares, analfabetos e semi-analfabetos, trabalhadores braçais, escravos, boêmios, vagabundos — “a escória”... Uma gente que nunca se preocupou em "fazer arte", mas em se divertir em seus momentos de descanso (talvez isso explique o fato de as canções "dessa gente" muitas vezes terem sexo como mote). Se feitas para rituais religiosos ou para festas, se folclóricas (produzida por comunidades isoladas) ou urbanas (samba, blues, tango e desdobramentos modernos), foram essas músicas que vieram dar nas inúmeras possibilidades que temos hoje em dia e que nos é empurrada goela abaixo via rádios, sites, blogs, emissoras de TV, etc. (olha as garras do capitalismo, aí, geeeente!!!). Chamemos aqui, entre nós, de música pop(ular), um desdobramento (pós?) industrial das melodias e ritmos ancestrais daquela gente bronzeada que vem mostrando seu valor desde a construção das pirâmides. Acontece que, por sua comunicação mais imediatista, mais direta, com maior afinidade com o que veio a ser nosso planeta a partir de meados do século XX, foi através dessa música que se organizou uma poderosa indústria. Hoje, ao contrário do que houve ao longo dos últimos séculos, ao menos no ocidente, é a música pop(ular) e não a música erudita que tem maior prestígio e "recursos" (o poeta na “torre de marfim” perdeu para o “flâneur”, para usarmos termos caros à academia). É ela, a música pop(ular), que desde o século XX movimenta milhões em vendas de discos, direitos autorais, ingressos para shows, publicidade, etc.

E o que isso teria a ver com as tendências da música pop(ular) contemporânea? Tudo. Afinal, essa música é, sempre foi, reflexo da vida cotidiana da maior parte da população deste planeta. Ou seja, se hoje vivemos num mundo informatizado, integrado, pós-moderno ou multi-fragmentado e hiper-conectado, nada mais natural que essa música se apresente também assim. Nesse sentido, nada mais contemporâneo que o mashup, que pode unir tanto um cantor tropicalista baiano com um grupo alemão que mescla ritmos africanos e sul-americanos (isso feito por um produtor brasileiro radicado em Londres), quanto a mais popular banda de rock dos anos 1960 com um duo francês que faz música eletrônica para pistas (via um DJ britânico auto-denominado Daft Beatles)...

No mais, o motor da música pop(ular) continua a ser aquela mesma gente e sua vida nas margens (É som de preto, de favelado / mas quando toca, ninguém fica parado). Se no passado foram os escravos, é ainda de um lugar pouco confortável que saem as manifestações que ditam, que ditaram nos últimos 40, 50 anos, os caminhos percorridos pela música e pela indústria da música. Será de lá que sairão, depois de diluídas por artistas ligados a grandes conglomerados de comunicação, as novidades que você ouvirá em 2012, 2013, 2014... 


E afinal, é tudo “culpa” das garras do capitalismo? Talvez, pois foi o capital o principal responsável pela diáspora africana que construiu a música pop(ular) como conhecemos. Curiosamente, a mais vibrante e rica produção musical de hoje surge de um drible em sua lógica. É através de softwares pirateados que novos artistas de Luanda (Angola), Bogotá (Colômbia), Rio de Janeiro e Belém (Brasil), Cidade do Cabo (África do Sul), San José (Costa Rica), Monterrey (México), forjaram — respectivamente — kuduro, eletro-cumbia, tamborzão, tecnobrega, kwaito, reggaeton e moombahton (para ficarmos com apenas alguns exemplos).



No mais, o centro do mundo (capitalista) continua a receber e exportar essas novidades. É via Londres e Nova York que muitos desses artistas e suas músicas chegam para o “resto do planeta”. Aliás, nas periferias dessas cidades também acontecem cenas tão interessantes quanto as citadas acima. O dubstep, ex-novidade queridinha das "pistas antenadas", surgiu em Londres e virou/desvirou moda. Se hoje são os filhos de imigrantes ilegais que alimentam as festas e cenas mais “hypadas” de algumas das grandes capitais mundiais, é possível dizer que desde muito a coisa se dá assim, vide os negros norte-americanos que rumaram para (primeiro) Chicago e (depois) Nova York em busca de emprego e, de "lambuja", transformaram o jazz através das dixielands, das big bands de swing e do bepob (em épocas distintas, claro). No Brasil os imigrantes baianos levaram sua experiência musical para a capital, o Rio de Janeiro, e a fundiram com o choro e o lundu, criando o samba. Voltando aos U.S.A., já nos anos 70, foi através de pequenos clubes de NYC em que se reuniam, primeiro separadamente e depois dividindo a mesma pista, gays, negros e imigrantes “latinos” que surgiu a cena disco — experiência "refundadora" do pop como o conhecemos hoje. Os exemplos são muitos, fiquemos apenas nesses.


Obviamente que o capitalismo, como ditador das regras do nosso mundo, foi o motor do surgimento da maior parte dessas músicas e é ele quem constrói as pontes que as popularizam, diluem. O que chega à maioria é, quase sempre, mais um suco de caju (em uma bonita embalagem plástica), que a própria fruta. É improvável que algum executivo de gravadora no Brasil em meados dos anos 1980 previu que a música sertaneja seria a grande vendedora de discos em nosso país a partir das décadas seguintes. Os profissionais de marketing a serviço do boom do pop rock nacional não visualizaram Zezé DiCamargo & Luciano, Bruno & Marrone ou Luan Santana, pois tinham diante de si apenas os ainda broncos Milionário & José Rico. Foi necessário que aquele modelo fosse “adaptado” a um certo padrão. A trajetória da cantora Madonna, que começou fazendo uma variação mais acessível do som que “bombava” nos clubes norte-americanos frequentados por filhos de porto-riquenhos no início da década de 1980 e desde então vem usando o underground como matéria prima para seus hits, segue a mesma lógica. 


Neste 2011 de revoluções em parte do Oriente Médio, de tensão política e financeira mundo afora e de (violentos) protestos no Chile, Grécia, Espanha e Inglaterra, a ocupação de Wall Street se diferencia, pois, ao interferir no cotidiano de uma das principais capitais do capitalismo global e por não ser fruto apenas do descontentamento de imigrantes e negros, mas contar com jovens brancos filhos da mais poderosa nação contemporânea entre os seus, recebeu atenção de seguimentos mais conservadores. A lógica da absorção das tendências musicais vindas das periferias é parecida. Por mais animada que seja a festa, ela só chegará ao grande público, ou ao "grande mercado", depois de reprocessada pelos garotos brancos (aliás, cabe um pequeno parêntese, já que falei de política, música e "rebeldia" nos dias de hoje, acho interessante citar um texto do DJ/jornalista Camilo Rocha a esse respeito, aqui).


Independentemente dessas questões, o importante, pra gente, que quer acompanhar o que está "acontecendo", é não olhar apenas para o centro (ou para a Academia Madame diz que a raça não melhora, que a vida piora, por causa do samba...), mas para a periferia, para os que, a despeito de serem afetados pelas crises de ontem e de sempre, continuam vivendo, fazendo, se divertindo. 



quarta-feira, 28 de setembro de 2011

é primavera abaixo da linha do equador:

sou assim, (meio) sem foco: estou escrevendo dois textos ao mesmo tempo, ambos com certa importância-urgência. mas ainda tiro tempo para aquilo que, teoricamente, nem é da minha alçada. de qualquer maneira, a despeito dos artigos que preparo (um para o projeto workshop - trends talking e outro para o site farofafá), venho pensando desde meados da semana passada, em como escrever a respeito da possibilidade de cassação do atual prefeito de florianópolis após quase oito anos a frente do executivo. 

queria fazer um texto veemente sobre a falta de credibilidade das instituições brasileiras. algo sobre o fato de eu não confiar na polícia, na justiça, no executivo, nos partidos, nos homens deste país. um texto sobre corrupção e preguiça, sobre como nos acostumamos ao as coisas são assim mesmo. para colocar mais lenha na fogueira da minha cabeça, no diário catarinense de hoje leio a matéria sobre as investigações envolvendo o ex-vice-governador e líder do psdb no estado leonel pavan em vendas de licenças ambientais. há tanto ódio no meu coração... um pouco dele justificado pela ojeriza aos irmãos berger, respectivamente prefeitos de são josé e floripa, e seus interesses financeiros e políticos (quantas vezes essas criaturas já mudaram de partido, amigos???). mais: por causa de um texto de camilo rocha sobre como hoje em dia a rebeldia não tem nada a ver com música ou ainda pela tristeza que me causou a notícia da morte de mais de 20 índios que protestavam pela construção de uma estrada na bolívia, pensei em construir um post indignado, desesperançado, ácido, etc. 

antes disso, porém, esbarrei no novo vídeo do duo porto riquenho calle 13... sou fã dos caras desde que fui apresentado, há uns três anos, a nadie como tu. daí que, por causa da breguice da música (com participação, inclusive, de uma cantora por quem nutro certo desprezo, maria rita), acabei  repensando meu ponto de partida. cheguei a conclusão de que as coisas poderiam estar, já estiveram, muito piores. 

o brasil de 20 anos atrás, aquele no qual passei a minha adolescência, era muito pior que este. e aí concluí que há muito com o que me indignar, mas que se pensar nos estudantes chilenos peitando a polícia por meses, a ocupação de biroscas cariocas por grupos punks que ligam o foda-se contra o "choque de ordem" do atual prefeito de lá e em outras pequenas e grandes ações dos mais diferentes agentes daqui, dali, de acolá, tenho mais é que ter esperança! (são tantos amigos, artistas, ativistas, jornalistas, que estão, cada um do seu jeito, construindo novas melhores realidades)

foi isso. no fim das contas, brega ou não, me emocionei com o novo vídeo do calle 13 (aliás, é primavera e lá fora há um sol tão lindo!).



Calle 13 - Latinoamérica from Nuestro Canto on Vimeo.

sábado, 18 de junho de 2011

noize e outras coisas bacanas:

o rio de janeiro continua rindo, o rio de janeiro continua lindo, o rio de janeiro continua indo. mas não quero listar suas belezas agora. estou aqui fazendo alguns trabalhos (citados no post anterior), daí que um amigo me mostrou a entrevista que o produtor fábio de souza deu ao jornal destak nesta última quarta (leia aqui, página 13) – lá ele conta como o cenário musical da cidade anda mal das pernas (nada diferente do que acontece em boa parte do brasil), me fez querer entrar neste assunto tão batido. mas pra quê? refleti em seguida.

então me veio a mente outro lado da história: as iniciativas bacanudas, as que dão certo. ou os projetos que, ignorando as previsões pessimistas, apontam novos caminhos, novas saídas... a despeito das dificuldades. iniciativas como as revistas noize e catarina (ou o coletivo catarina, que promoveu no último fim-de-semana o sul fashion week, em florianópolis - participei do evento coordenando duas mesas de discussão). da catarina não preciso falar muito, fui colaborador da publicação e sou seu fã. como moda não é foco neste post, falo da noize. embora tenha lá minhas ressalvas ao apego pouco crítico deles ao termo indie (e essa é uma crítica bem pessoal, sei) ou a um certo roqueirísmo gaudério (só isso explica a presença de gente tão derivativa quanto cachorro grande na última edição), gosto muitíssimo da publicação – que acerta quase sempre. foi o caso da de número 43, a começar pela capa, com um clone de roberto carlos (tema de nada menos que 14 páginas). uma dica legal aqui, outra acolá e ainda uma entrevista/ensaio com a foderosa cibelle. vale dar uma procurada por aí (a noize é distribuída gratuitamente em floripa na célula e no mustafá) – mas também pode ser baixada em pdf em seu endereço oficial...

para além das publicações comentadas, encontramos muitas ótimas iniciativas independentes por aí. poderia citar uma, duas, vinte e três... por essas e outras concluí, ih, chega de falar do que está errado. pelo menos por hoje, claro.

(e a noite da lapa nesta sexta-feira estava especial: lua cheia, clima ameno, gentes de todos os tipos na rua e músicas para todos nos bares e casas – do samba ao rock, do funk à música cubana... o rio de janeiro continua sendo...)

sábado, 9 de abril de 2011

sobre o fingidor sem poesia (mas não sem dor):

vou falar de uma coisa que me incomoda: choro falso. é impressão minha ou hoje em dia, aqui no brasil, é obrigatório chorar em público para convencer emoção?!? não que ache que o modelo frio que vigora nas relações entre as pessoas na maior parte dos países do hemisfério norte sirva para a maioria dos brasileiros. não serve, aqui embaixo as coisas são diferentes. também não penso que não devamos chorar na frente de quem quer que seja. não. o que incomoda é o choro falso nas grandes e pequenas tragédias, nas  alegrias minúsculas e maiúsculas. o choro falso do entrevistado humilde diante do prêmio, a emoção fingida diante do horror da morte da filha-sobrinha-enteada-cunhada, o nhé-nhém-nhém diante do acidente fatal: isso incomoda.  o pior é que, na grande maioria das vezes, o canastrão da vida real está realmente sofrendo. para quê fingir, então? para brilhar no espetáculo da vida contemporânea? sofrer em silêncio não ibope? até parece que todos leram camus e estão com medo de alguma coisa.

tenho dificuldade para chorar. em público, então, nem se fala... talvez por isso valorize tanto o derramar de lágrimas. já passei anos sem chorar e sei como dói. afinal, não verter este líquido salgado pelos olhos, não significa frieza diante da vida, dos fatos, dos outros - que amamos (ou que odiamos). infelizmente, hoje em dia o senso comum determina: CHORE. mesmo que seja EVIDENTEMENTE FALSO. mesmo sem lágrimas, mesmo com os olhos cerrados e os dedos apertando as pálpebras como se fossem botões de liga-desliga, mesmo com voz forçosa (e ridícula): chore.

dizer o quê da tragédia no rio? triste demais. inclusive pelo fato de que a comoção nacional poderá ser revertida em avanço da mesma nebulosa moral religiosa que norteou o assassino. (sei, essa é uma opinião muito particular e passível de revisão, mas) em uma ocasião assim não deixo de pensar em como nosso mundo poderia ser um pouco melhor sem o peso e a opressão do cristianismo (mas não quero redizer o que já disse aqui & aqui & aqui). por essas e outras, agora, só nos resta chorar...

quarta-feira, 16 de março de 2011

yelle - pinker tones:

yelle e pinker tones são artistas pop de países primeiro-mundistas e estão em plena atividade, mas por não cantarem apenas em inglês não recebem aqui, num país periférico que também não fala inglês, a atenção que seus trabalhos merecem. yelle e pinker tones, oriundos, respectivamente, da frança e da espanha, estão atualmente divulgando seus novos trabalhos (o dela (safari disco club) acaba de sair e o deles (modular) foi lançado em dezembro do ano passado)...

gosto muito de ambos e por achar que suas canções e clipes são tão bons quanto os de quaisquer artistas multiplatinados dos u.s.a. e do reino unido, sempre pergunto "qual o motivo de, de modo geral, no brasil não nos interessamos em conhecer o som de vizinhos como argentina e colômbia, ou em lugares como portugal e angola (que falam a mesma língua que a gente). responda você. mas enquanto ouve-assiste os vídeos dos últimos singles dos artistas... por fim, um detalhe e uma dica: (a linda) yelle resolveu juntar dois clipes em um só vídeo e o disco anterior dos pinker tones, wild animals (2008), vale mais a pena de ser ouvido que o novo.


(aliás, a quem interessar possa azafata (argentina), bomba estereo (colômbia), don-g (portugal) e dj killamu (angola), fazem pop dançante tão bom quanto muitos dos artistas gringos que estamos "cansados" de conhecer...)






sábado, 1 de janeiro de 2011

sobre este primeiro de janeiro:

antes de falar da posse da primeira mulher presidente do brasil, gostaria de relatar o que vi ontem, dia 31, pouco antes do fim da tarde, nas ruas de porto belo (enquanto voltava da praia). não gostaria de ter assistido tal cena, mas penso que ela diz muito sobre o país em que vivemos: de um carro, destes enormes e caros (importado), um grupo de jovens bonitos, malhados, atirou um rojão contra um catador de rua – destes que levam em seus carrinhos papelão para reciclagem...

hoje, dia primeiro de janeiro de 2011, foi o dia da posse da sucessora de luiz inácio lula da silva. eu, ao invés de ir pro mar/areia, preferi ficar na frente da tv... votei em dilma rousseff. mais que isso, fiz questão de me colocar publicamente como seu eleitor. agora, isso não significa que tenha mudado tão rapidamente (do primeiro para o segundo turno) de crítico ao pt e à sua candidata para seu “fã”. a questão é que, entre não concordar com muitas “escolhas” do partido que se manteve no poder nestes últimos oito anos e assistir passivo a uma possível vitória de um grupo liderado por psdb/dem (ou pfl), preferi a primeira opção (que incluía, claro, um tipo de visão de mundo ideal um pouco diferente). o que não nego também, principalmente enquanto assisti ao discurso de posse da nova presidente, é que dilma me parece por demais fabricada. ainda que admire seu modo sério e reservado, sua postura contida e por vezes dura, sinto um misto de medo e esperança em relação ao seu/nosso futuro...

neste sentido, por mais que tenha críticas à falastrice de lula, não nego, sou seu admirador e sentirei falta de sua aparente transparência. ainda que não concordasse com muito do que dizia, ficava feliz por acreditar que o dito era entendido pela maioria dos brasileiros mais humildes. mais: me alegrava notar parte da imprensa, quase sempre comprometida com interesses diferentes dos da maioria do povo deste país, se irritar (e criticar veladamente ou não) com seus discursos (dependendo, claro, do veículo que representavam).

agora, se sinto tristeza em pensar que aqui em santa catarina não teremos nenhuma mudança significativa no poder (que mantém tantos cargos e cabides em um estado tão pequeno, com suas mais de 30 secretarias regionais...), ou em ver fernando collor de melo aplaudindo o discurso de posse da nova presidente, assim como em lembrar, pelo engasgo emocionado de dilma, que vivemos em um país em que há um poderoso preconceito contra pobres, nordestinos, mulheres, negros, gays, ou em ver quão lamentável foi a escolha de ana de holanda como nova ministra da cultura (logo uma defensora do ecad...), tenho também esperança no que virá. aliás, não poderia ser diferente: sou um otimista irrecuperável (seria culpa da minha lua em leão?).

fico na torcida: que venha um belo 2011. para mim, pra você, pro brasil e para seus jovens bonitos e ricos, mas igualmente para seus catadores de papel.