Pular para o conteúdo principal

"a luta é de tudo e de todos":

o momento é complexo, tenso e triste, daí, assim sendo, é preciso sair da zona de conforto e se posicionar. nunca me senti "de esquerda", embora jamais tenho sido de direita, claro. via a esquerda como "bunda-mole" (no sentido de "careta", pouco arrojada, esquemática, com visão estética simplória), mas, em virtude do que vivemos (o golpe, a ascensão de um neo-fascismo aqui, ali, acolá), passo a me declarar de esquerda, sim. talvez eu seja de "sua ala festiva"... provavelmente. 

recentemente, se desdobrou uma polêmica de feyçybuque na cidade de florianópx: meu amigo, o cartunista frank maia, depois de assistir a uma atitude intempestiva de um dos proprietários do gato mamado (bar que tem como parte de seu público jornalistas, artistas e boêmios que, em sua maioria poderiam ser classificados como esquerdistas) contra manifestantes, ao fim de mais uma "passeata fora temer", isso durante um confronto com a polícia nas imediações do estabelecimento, escreveu que não voltaria àquele local. fez bem?! suponho que sim.

conheço os sócios que conduzem o gato. simpatizo com ambos e não preciso concordar com o que pensam sobre política, isso nem viria ao caso em outros momentos, mas hoje, feliz ou infelizmente, não é algo a se desconsiderar. porém, todavia, entretanto, depois de ter curtido a postagem de meu amigo e de ter lido a espécie de pedido de desculpas da casa, repensei. achei que deveria, sim, voltar lá. gosto do bar, mas minha mudança tem menos a ver com o que escrevi acima e mais com minha personalidade. sou alguém que aprecia e quer, ou ao menos procura, a conciliação. talvez tenha um espírito gregário ou algo assim, não sei, mas não gostaria de deixar de conversar com ninguém por conta de questões políticas... 

por uma coincidência, cito o gato mamado na letra de uma canção que gravei ano passado, uma que tinha como cenário uma manifestação de rua e essa divisão entre nós brasileiros, algo que vivemos mais vividamente desde 2014. para quem quiser ouvir, essa premonitória milonga, cá está "eu sei, você sabe" (em arranjo pseudo-progressivo). 

ainda sobre se posicionar: na mesma rede social resolvi, há uns dias, questionar publicamente alguns amigos candidatos sobre o golpe... todos saíram do armário e condenaram o que se desdobrou. mas um deles, em conversa posterior (particular), ponderou que não podia "levantar essa bandeira" tão "escancaradamente", afinal, isso poderia ser ruim para sua campanha. realmente, esse é um assunto complexo. minha atitude primeira foi calar e concordar. mas depois, refletindo sobre sua posição, e sobre um exemplo por ele dado, de que se lula em 2002 não tivesse contornado certos temas polêmicos, provavelmente não teria sido eleito, cheguei a seguinte conclusão: 2016 não é 2002 e aquela postura, daquele candidato, lá naquele longínquo pleito, provavelmente contribuiu para toda a confusão que vivemos. AGORA É A HORA! é preciso não temer!

dito isso, trago para cá um texto de 2006. um release/poético escrito por mim para divulgar o coletivo CLUBE DA LUTA FLORIPA, que é lembrado em exposição fotográfica multimídia organizada por e com fotos de cassiano ferraz. a abertura é hoje, no museu da imagem e do som de sc. se minha fala pode parecer velha, acredito que sua reflexão vale para ontem e amanhã. redigo isso feliz em encontrar certa coerência nos temas e no estilo. por isso esse post agora: pois eu sou a cidade e a cidade é você. esse não é um momento para se omitir (aliás, quem se omite também toma posição, pois o silêncio também fala). RÁ:

para acabar com o tédio: clube da luta

para quem não sabe: clube da luta é e será. pule dentro! para estar no clube da luta é preciso ir até o clube da luta. e o clube da luta estará em baixo da ponte velha em florianópolis. é claro que ela pode cair. a ponte é velha, mas o clube é novo. e a luta? a luta é a mesma de sempre. mas é sempre diferente. e é e será, além de diversa, divertida. ou não. o que importa é que não se pode ignorar o clube da luta

as primeiras lutas, espécie de demarcação de território por seus participantes, acontecerão dias 01 e 02 de setembro. o custo é mínimo. o prazer, em compensação, será incomensurável! o clube da luta não convida. o clube da luta convoca. pule dentro. 

o clube tem regras. só haverá luta se suas regras forem respeitadas! o clube e a luta são para a cidade e para quem vive na e da cidade. a cidade dá, mas a cidade pede: lute! 

(...) a luta é de tudo e de todos e por isso é preciso lutar. pois a luta e seus lutadores são plurais como plural é a cidade, que recebe e acolhe, mas devolve tudo. e exige: lute!

(ah, a foto lá de cima é do querido bruno ropelato)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

conta comigo:

lá ia eu, noite adentro naquele ônibus sob um céu sem estrelas, ao lado de uma desconhecida e seu ronco. em mim, a tentativa de juntar nomes, fatos, datas e canções em meu quebra-cabeça particular. ia com uma espécie de aperto gelado entre a barriga e o peito. difícil descrever minha angústia sem usar algum clichê... meu domingo ia tranquilo quando recebi a notícia que me arrasaria. 

em minhas memórias eu era outro, diferente do que sou: era um menino de 13 anos. no agora sou um homem de quase 40 que anda triste com o que o rodeia. vivo em um país à beira do colapso com cidadãos furiosos, engendrados em uma teia de ódio & oportunismos & meias verdades. mas quem era eu dentro daquele ônibus? o menino de 1990/91 ou o homem de agora? tenho duas filhas, faço canções doídas e as canto para poucos. dentro de mim, em minha poltrona, através da janela, eu era a soma do que fui, do que sou e do meu entorno nos dois períodos. 
em uma outra noite fria, isso há 25 anos, assisti pela primeir…

o brasil, a cidade, o samba e essas mulheres:

florianópolis, fins de agosto de 2016: pesquisa aponta angela amin como primeira na "corrida para a prefeitura", seguida de perto por gean loreiro. dois vassalos dos de sempre. ambos em partidos golpistas de agora e antes (sim, o pmdb é, ao contrário do que costuma pintar, fruto do faz de conta que chamava de revolução um golpe, a tática foi e é negar o inegável). aqui não é diferente de outras capitais e interiores do brasil brasileiro, in-fe-liz-men-te. fins de agosto e há gente na rua contra o governo interino-golpista, mas há mais ainda, como sempre. há muita gente por aí tentando ganhar algum, pois a crise é brava e não dá arrego. semana passada vi alguns destes perdendo seus produtos, cercados pela polícia e fiscalização. havia uma senhora chorando e pedindo para que não lhe tirassem o "ganha pão". ela, como vários outros dos que se viam cercados, era imigrante. essa é a nossa cidade hoje. esse é o nosso país. 
noite de domingo, rancho do neco cheio. lugar sim…

laura lópez castro:

tudo que quero é uma semana plácida. assim, como o som da cantora (espanhola-germênica) laura lópez castro (que conheci através do trapésio sem rede de ana roman). nada de debate político aqui. não vou alfinetar serra e seus comparsas (que se dizem do bem, mas são na verdade do dem). não vou defender a candidata dilma rousseff, pois ela já recebeu muitas defesas e apoios - todos mais importantes que o meu (este, de pedro alexandre sanches, é um dos mais bonitos, acho...). de todo modo, faço questão de deixar bem claro que, contra um projeto de país que passa longe do que acho justo e interessante para o brasil, voto 13 no domingo 31.
mas, como disse, no início, quero uma semana plácida para mim. e lhe desejo o mesmo, caro leitor(a). por essas e outras selecionei pra este post alguns vídeos do duo laura lópez castro e don philippe - residentes em berlim (optativoé o título do mais novo álbum da dupla). dá para notar, e não apenas por causa da versão de acabou chorare dos novos baianos,…