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Mostrando postagens de Setembro, 2016

"a luta é de tudo e de todos":

o momento é complexo, tenso e triste, daí, assim sendo, é preciso sair da zona de conforto e se posicionar. nunca me senti "de esquerda", embora jamais tenho sido de direita, claro. via a esquerda como "bunda-mole" (no sentido de "careta", pouco arrojada, esquemática, com visão estética simplória), mas, em virtude do que vivemos (o golpe, a ascensão de um neo-fascismo aqui, ali, acolá), passo a me declarar de esquerda, sim. talvez eu seja de "sua ala festiva"... provavelmente. 
recentemente, se desdobrou uma polêmica de feyçybuque na cidade de florianópx: meu amigo, o cartunista frank maia, depois de assistir a uma atitude intempestiva de um dos proprietários do gato mamado (bar que tem como parte de seu público jornalistas, artistas e boêmios que, em sua maioria poderiam ser classificados como esquerdistas) contra manifestantes, ao fim de mais uma "passeata fora temer", isso durante um confronto com a polícia nas imediações do estabele…

conta comigo:

lá ia eu, noite adentro naquele ônibus sob um céu sem estrelas, ao lado de uma desconhecida e seu ronco. em mim, a tentativa de juntar nomes, fatos, datas e canções em meu quebra-cabeça particular. ia com uma espécie de aperto gelado entre a barriga e o peito. difícil descrever minha angústia sem usar algum clichê... meu domingo ia tranquilo quando recebi a notícia que me arrasaria. 

em minhas memórias eu era outro, diferente do que sou: era um menino de 13 anos. no agora sou um homem de quase 40 que anda triste com o que o rodeia. vivo em um país à beira do colapso com cidadãos furiosos, engendrados em uma teia de ódio & oportunismos & meias verdades. mas quem era eu dentro daquele ônibus? o menino de 1990/91 ou o homem de agora? tenho duas filhas, faço canções doídas e as canto para poucos. dentro de mim, em minha poltrona, através da janela, eu era a soma do que fui, do que sou e do meu entorno nos dois períodos. 
em uma outra noite fria, isso há 25 anos, assisti pela primeir…