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o brasil, a cidade, o samba e essas mulheres:


florianópolis, fins de agosto de 2016: pesquisa aponta angela amin como primeira na "corrida para a prefeitura", seguida de perto por gean loreiro. dois vassalos dos de sempre. ambos em partidos golpistas de agora e antes (sim, o pmdb é, ao contrário do que costuma pintar, fruto do faz de conta que chamava de revolução um golpe, a tática foi e é negar o inegável). aqui não é diferente de outras capitais e interiores do brasil brasileiro, in-fe-liz-men-te. fins de agosto e há gente na rua contra o governo interino-golpista, mas há mais ainda, como sempre. há muita gente por aí tentando ganhar algum, pois a crise é brava e não dá arrego. semana passada vi alguns destes perdendo seus produtos, cercados pela polícia e fiscalização. havia uma senhora chorando e pedindo para que não lhe tirassem o "ganha pão". ela, como vários outros dos que se viam cercados, era imigrante. essa é a nossa cidade hoje. esse é o nosso país. 

noite de domingo, rancho do neco cheio. lugar simples e muita energia e gentileza. no palco: luiz sebastião e seu violão sete cordas comandam a festa. entre seus convidados há a cantora bárbara damásio, o músico-candidato luiz meira, camélia martins, eu e gazu (ex-vocalista do dazaranha). na platéia, gentes de todos os tipos e procedências, idades, sexualidades, cores, etc. os sambas se sucedem e são cantados por todos, há alegria e eletricidade no ar. do palco, puxo o coro "fora temer" e quase todo mundo entra no jogo. ali, no meio daquela gente ou fumando um cigarro na rua, sinto esperança. esse é o nosso país/cidade agora?! 

hoje, segunda, 29 de agosto de 2016, temos uma mulher eleita democraticamente sendo julgada por um crime que não cometeu, por quem, como sabemos, não tem "moral" para fazê-lo. 

angela amin foi prefeita em época mais ou menos recente, mais ou menos melancólica. seu marido era governador (eram reizinho e rainhete de sc) e fhc presidente. vivíamos desemprego e desesperança, mas tínhamos grande mídia e elite aparentemente satisfeitos. aqui, nessa província, muito por conta do desastre dos equívocos da gestão dela no transporte público, vimos surgir o movimento passe livre. aqui surgiu o "quem não pula quer tarifa". eram outros tempos. piores em vários aspectos. não me lembro tão bem da desastrosa inauguração dos novos terminais, sei que alguns hoje estão abandonados, sei também que a falta de planejamento gerou tragédia na vida de alguns. mas não sei precisar se entre os atropelamentos houve algum fatal. sim? não?! essa foi a nossa cidade ontem, esse era nosso país em tempos de cronicamente inviável

essa senhora, primeira nas pesquisa, tinha contra si denúncias, todavia, ao seu lado esteve/está, o mesmo tipo de gente que hoje julga dilma. são brasis e momentos e cidades e julgamentos distintos. claro... e a mulher chorando na rua, cercada por polícia e fiscalização estaria em qual destes momentos-brasis-cidades? 

fim de festa, conversa animada em frente ao rancho de pescadores: somos músicos, artistas e outros, gente que lê, que é crítica e que anda desesperançada. entre os amigos, há o uruguaio daniel e o congolês gloire e o papo gira em torno de imperialismo, ritmos ancestrais e o momento atual aqui e no mundo. ninguém fala em golpe, em retrocesso ou em eleições municipais. não porque não saibamos o que há, mas por entendermos que é melhor seguir e lutar, a despeito do que infelizmente pode vir. intuo, a partir do papo, da noite, das pesquisas, das notícias de hoje, que ainda que o que se desenhe em nosso horizonte seja triste, nós não seremos. mas essa será a cidade e o país amanhã?! não sei. todavia, seguirei cantando o refrão do samba: "amanhã vai ser outro dia/ amanhã vai ser outro dia"...

Comentários

Taí gostei, essa outra mulher que para alguns é a rainete não passa de mais uma do bando dos golpistas (PMDB e aliados.
Não quer largar o osso.

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