Pular para o conteúdo principal

eu vivo o feio e o belo:

não tenho tido medo de expor minhas dores. aceitar o fato é dizer também que o que me motiva não é o holofote, mas o querer estar inteiro e "sem maquiagem". é fugir do lugar mais cômodo... em 2015, atravessei um período difícil (coisas do mundo, minha nega). o pouco dinheiro, a falta de perspectivas (pessoais e artísticas) y otras cositas más quase me asfixiaram. fiz uma pausa e desde então me sinto no ar. poucos planos, quase nenhuma direção. foi difícil e triste, sim. vivi ainda a infeliz coincidência do falecimento de amigos naqueles dias. mas o tempo cicatriza e o tal sentimento, "de estar no ar", me fez bem. todavia, o vento começou a mudar a partir de fins de novembro passado, quando eu e andré seben nos sentamos no chão da loja pulp (em um antigo casarão no centro da nossa cidade) e criamos rush de amor à ilha.

meu orgulho não se resume ao resultado dessa empreitada, se estende ao que me foi trazido no seu processo de construção: confiança. de lá para cá fiz outros trabalhos (na pulp, inclusive) e compus e compus. mais: repensei músicas que tenho guardadas em minhas "gavetas" há anos (eu hoje joguei tanta coisa fora / vi o meu passado passar por mim) e tenho tentando colocar novas ideias em prática. pouco fiz sozinho, pois entendi que sou melhor com interlocutores. 

dentre meus parceiros desde então, cito, além de mr. seben, luís canela, thiago gomes, cícero bordignon, ulysses dutra, márcio costa, bárbara damásio, yoyo borobia e bruno ropelato. cada qual por um motivo, todos com igual importância. há mais por vir, existem planos e "canções engatilhadas". mas não há pressa. o que me faz crer que estar no ar pode não ser ruim.

continuo fazendo música, ao menos por enquanto, pois entendi que assim respiro melhor. entendi que sou parte do meu entorno e que sou também "desterra destruída em reconstrução". sou vítima e sou algoz (a cidade é parte de mim). sou mais do que supunha e se estou mais forte a cada nova queda, é por entender que é possível fazer do amanhã algo melhor do que o que antevemos agora. aqui, "num pedacinho de terra", ou por aí, pelo continente multicolorido que chamamos brasil - com suas dores, holofotes, maquiagens.

e para quem não assistiu ou não ouviu: RUSH DE AMOR À ILHA:

(foto e vídeo: bruno ropelato)

Comentários

Frank disse…
o mar calmo não forma o bom marinheiro. enfrentando os vagalhões. é aí que a gente cresce. beijo.

Postagens mais visitadas deste blog

conta comigo:

lá ia eu, noite adentro naquele ônibus sob um céu sem estrelas, ao lado de uma desconhecida e seu ronco. em mim, a tentativa de juntar nomes, fatos, datas e canções em meu quebra-cabeça particular. ia com uma espécie de aperto gelado entre a barriga e o peito. difícil descrever minha angústia sem usar algum clichê... meu domingo ia tranquilo quando recebi a notícia que me arrasaria. 

em minhas memórias eu era outro, diferente do que sou: era um menino de 13 anos. no agora sou um homem de quase 40 que anda triste com o que o rodeia. vivo em um país à beira do colapso com cidadãos furiosos, engendrados em uma teia de ódio & oportunismos & meias verdades. mas quem era eu dentro daquele ônibus? o menino de 1990/91 ou o homem de agora? tenho duas filhas, faço canções doídas e as canto para poucos. dentro de mim, em minha poltrona, através da janela, eu era a soma do que fui, do que sou e do meu entorno nos dois períodos. 
em uma outra noite fria, isso há 25 anos, assisti pela primeir…

o brasil, a cidade, o samba e essas mulheres:

florianópolis, fins de agosto de 2016: pesquisa aponta angela amin como primeira na "corrida para a prefeitura", seguida de perto por gean loreiro. dois vassalos dos de sempre. ambos em partidos golpistas de agora e antes (sim, o pmdb é, ao contrário do que costuma pintar, fruto do faz de conta que chamava de revolução um golpe, a tática foi e é negar o inegável). aqui não é diferente de outras capitais e interiores do brasil brasileiro, in-fe-liz-men-te. fins de agosto e há gente na rua contra o governo interino-golpista, mas há mais ainda, como sempre. há muita gente por aí tentando ganhar algum, pois a crise é brava e não dá arrego. semana passada vi alguns destes perdendo seus produtos, cercados pela polícia e fiscalização. havia uma senhora chorando e pedindo para que não lhe tirassem o "ganha pão". ela, como vários outros dos que se viam cercados, era imigrante. essa é a nossa cidade hoje. esse é o nosso país. 
noite de domingo, rancho do neco cheio. lugar sim…

laura lópez castro:

tudo que quero é uma semana plácida. assim, como o som da cantora (espanhola-germênica) laura lópez castro (que conheci através do trapésio sem rede de ana roman). nada de debate político aqui. não vou alfinetar serra e seus comparsas (que se dizem do bem, mas são na verdade do dem). não vou defender a candidata dilma rousseff, pois ela já recebeu muitas defesas e apoios - todos mais importantes que o meu (este, de pedro alexandre sanches, é um dos mais bonitos, acho...). de todo modo, faço questão de deixar bem claro que, contra um projeto de país que passa longe do que acho justo e interessante para o brasil, voto 13 no domingo 31.
mas, como disse, no início, quero uma semana plácida para mim. e lhe desejo o mesmo, caro leitor(a). por essas e outras selecionei pra este post alguns vídeos do duo laura lópez castro e don philippe - residentes em berlim (optativoé o título do mais novo álbum da dupla). dá para notar, e não apenas por causa da versão de acabou chorare dos novos baianos,…