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Mostrando postagens de Janeiro, 2011

uma empada e um chopp:

só aprendi a comer depois de velho. velho, digo, depois dos vinte e de conhecer a mulher que amo. sou aquariano e atribuo a isso, além do fato de ter uma mãe que nunca ligou para rituais, ter ficado anos e anos apenas engolindo comida. acontece que só depois de grande e por causa do amor - sei sei, soa bem cafona (mas é, ora, isso mesmo!) - fui apresentado a refeições que, mais elaboradas, precisam ser servidas através de uma espécie de ritual (com começo, meio e fim). além disso, com o tempo e graças a necessidade (mais que a curiosidade - admito), aprendi a cozinhar, o que me deixou mais atento e disposto para os prazeres do paladar. a questão é que, hoje em dia, por causa de uma taurina, me apaixonei pela "boa mesa" e descobri que ela não se basta em comida, mas em uma espécie de mise en scené que inclui (dentre outras coisas) uma boa conversa regada, sempre que possível, por um bom vinho (ou os melhores que podem ser comprados com menos de 50 reais...). além de vontade d…

rio de janeiro:

estou passando uns dias no rio e enchendo a cara de chopp. como hoje é sexta-feira, o melhor dia da semana (no inverno ou no verão), quis postar algumas canções ensolaradas que tem a cara do rio de janeiro... aliás, uma delas é do fino coletivo, que se apresenta hoje, de graça, na praia - no arpoardor. as outras faixas são do (ótimo) cantor jorge ailton (que lançou um bonito disco em 2010 - o ano 1) e da dona do meu álbum preferido nos últimos tempos, tulipa ruiz (cantanto os grilos do mestre, carioquíssimo, marcos valle). (essa cidade me faz um bem)





philippe halsman:

philippe halsman, além de nome importante da fotografia do século xx, teve uma história e tanto. judeu-russo, de família próspera, passa parte de sua vida em dresden, na inglaterra, até quando, em 28, na áustria (a da ascensão do nazista), durante um passeio, seu pai morre em um misterioso acidente. acusado de patricídio, permanece preso por 4 longos anos. livre, graças ao empenho de seu advogado, segue para a frança, onde se destaca em trabalhos para a revista vogue.
mas é a partir de sua ida para a américa do norte que halsman se torna referência, através das fotos que fez para a revista life. parte delas com celebridades da época pulando... outra faceta que contribuiu para sua notoriedade foi a parceria de quase trinta anos com salvador dalí.
no mais, são dele as imagens deste post. veja mais aqui.
há um filme (que não vi) que narra o episódio da prisão do artista: jump! (2007, u.s.a.) ou sentença de um assassino, título brasileiro - que o condena... 


pollerapantalón:

eles estão entre nós. são argentinos, fazem um som que ora é um funk bem 70's, ora um rockbilly estilizado ou algo entre ska, punk,  jazz, drum'n'bass & uma micro-big-band... e sem virtuosismos massantes, mas com técnica e competência. a questão é que o grupo tem se apresentado em florianópolis - eles costumam montar seu equipamento na rua e atrair as mais diferentes audiências - e estão conquistando quem os ouve/vê.
sexta-feira última, no vecchio giorgio - lagoa, roubaram a cena. enquanto a chuva caía sem trégua sobre a ilha, nós, que os assistimos naquela noite, nos divertíamos com a poderosa presença do septeto. do disco, con la música a otra parte (2009), que agora ouço, digo apenas que não consegue reproduzir a força de vê-los ao vivo... quer saber?!? isso é ótimo. portanto, e isso vale para quem está na cidade, vá pra rua que é lá que podemos encontrar coisas tão bacanas quanto o pollerapantalón.

meus discos preferidos - orchestra klaxon:

quando ouvi max de castro pela primeira vez, ainda sob os efeitos do hype que em 2000 o colocava como o artista brasileiro mais promissor da década que se iniciava, não achei grande coisa. embora tenha encontrado boas idéias e melodias em seu som, ainda que me agradasse o mix de referencias e colagens, não enxerguei tantas qualidades naquilo que deveria ser essencial em samba raro (seu primeiro álbum): poucas de suas canções permaneceriam de pé se desnudadas de seus arranjos/efeitos, além de grande parte das letras do álbum ficarem MUITO atrás de suas harmonias, melodias e arranjos. a questão é que samba raro era (é) um bom disco, mas nada além disso. nada que justificasse o “oba-ôba” dos nelson motta’s daqui ou de alguma revista de novaiorque... mas por algum motivo (tá: pedro alexandre sanches e um de seus textos ajudaram), ouvi seu orquestra klaxom logo após seu lançamento e... não parei mais.
da instrumental introdutória o futuro pertence a jovem vanguarda (com arranjo de metais i…

dos livros que li:

dos livros que li e tenho lido nestas últimas semanas, cito primeiro  um que nem é tão bom, mas nem tão ruim a ponto de ser apontado como pior de 2010 (na categoria quadrinhos): (como foi feito em uma lista da folha de são paulo com) memória de elefante(cia das letras - 2010) do quadrinista caeto... nessa seara, há outra publicação, logicomix - uma jornada épica em busca da verdade (de apostolos doxiadis e christos h. papadimitriou, com arte de alecos papadatos e annie di donna - pela ed. wmf martins fontes - 2010) que por sua vez não é tão fantástica quanto deu a entender a mesma lista da folha. isso não significa que leve a sério este tipo de "lista", mas como esbarrei nela justo no momento em que, por coincidência, terminava um e começava o outro, não pude deixar de comentar aqui.
mas mudando o foco em direção a literatura mais "tradicional", cito o enredamento causado por a sangue frio (in cold blood (tradução de sérgio flaksman), cia das letras - 1966) de trum…

coisas várias:

dos discos que tenho ouvido, falo de alguns. a começar por efêmera, primeiro álbum de tulipa ruiz. lindeza total; bonitas canções em arranjos que, ainda bem, fogem das armadilhas em que algumas boas novas cantoras brasileiras costumam cair  (arranjos reverentes ao passado, por exemplo...). há mais, claro, que suas boas letras e melodias grudentas, há uma voz incomum. nasal, a cantora passa longe das doces vozes de algumas de suas contemporâneas... isso é ótimo. entre as músicas de efêmera, uma se enterrou na minha cabeça, só sei dançar com você (embora seja uma canção de amor, é também, penso (ou interpreto), uma reflexão dolorosa sobre as drogas...).



ao contrário da de tulipa, a voz de céu é de uma beleza mais, digamos, clássica. tenho ouvido muito o seu vagarosa, cujo a versão deluxe, com dvd incluso, vale a pena ser conferida. é o mesmo disco de 2009, mas acrescido de faixas bônus e dvd com imagens no estúdio e na estrada. já o disco de seu jorge & almaz, esse, embora tenha lá s…

la vida:

música mais legal do mundo hoje. ou música mais legal de 1997 hoje. ou algo do tipo. não importa, quando saiu o disco do sweet 75, banda pós nirvana de krist novoselic, mais a cantora, compositora, baixista, yva las vegas, não o achei tão legal. bobagem minha, o álbum é ótimo. mas há ali uma canção imensa, uma que se destaca acima de todas as outras. talvez acima da maioria lançada naquele ano. e nos posteriores (não repare, sou exagerado). amo la vida e hoje é só o que quero ouvir. 
ouça também...

os maias:

há exatos dez anos, em pleno verão de 2001, a rede globo de televisão exibia a mini-série os maias. assisti aquela versão do romance de eça de queiroz (uma adaptação de maria adelaide amaral) na medida que pude e lembro de gostar. não de todo, claro. como admirador do escritor português, e tendo a obra citada como um de meus livros preferidos, foi com um pouco mais de expectativa que lhe revi agora, através de um box que lhe reapresenta em 4 dvds (uma maratona de mais ou menos 15 horas).
que decepção.
ruim a série não é, é preciso dizer. as interpretações de seus protagonistas, de modo geral, são muito boas – ainda que não tenha subsídios suficientes para avaliar um ator, não há como não elogiar as interpretações de walmor chagas e osmar prado (que seguidas vezes emocionam quem os assiste). a cuidadosa produção, de figurinos e cenários caprichados, por sua vez, não fica muito atrás dos melhores blockbusters hollywoodianos. mas isso não basta. a caixa diz que contém a versão “do diretor”…

do mar e outros sexos:

se quiser, eu faço música, poetiso a coisa toda ou arroto confissões constrangedoras por aqui. mas de todo modo, o que importa agora realmente é esse princípio de inferno astral. deve ser por isso, penso, essa tristeza escaldante que hoje vesti como uma camiseta. mesmo perto do mar, desfrutando dos prazeres que desfruto, mesmo com sede e podendo matar a sede, continuo sem me saciar. deve ser inferno astral, coisa que atinge em cheio quem tem ascendente em peixes. talvez seja a soma de fatores difíceis de enumerar em público. como o fato de que a morte de alguém querido se faz lembrar quando (ainda que em um dia ensolarado de frente pro azul das ondas) numa caminhada na areia, no silêncio diante das pedras, não se diz nada. quem sabe não, talvez tenha a ver apenas com essa crônica falta de grana. ou com a culpa que se sente depois de uns dias de excessos.


mas o mar de bombas continua lá, lindo, como que sussurrando, vai passar, vai passar, vai passar. e daqui a pouco, do aterro do flame…

discotecando no blog:

amanhã, no blues velvet, centro calorento da ilha do sol e das longas noites de brisa e moças bonitas, acontece mais uma edição da 2 thousands - festa em que se ouve indie rock e adjacências. entonces, entonces, como discoteco por lá, me adianto e disponibilizo em forma de convite, algumas cançonetas dançantes (todas, evidentemente, "cabíveis" neste pequeno balaio chamado indie-rock):

verão, inverno, inferno, nada muda uma verdade universal: sexta-feira é o melhor dia da semana. caia dentro!!!


Franz Ferdinand - Bite Hard by avant

Shadows - Midnight Juggernauts by Ragazza2008

That Old Spell by cassim

Dengue Fever - Ethanopium by mistermustard

antônio maria:

estranho que jamais tenha sequer citado antônio maria nas minúsculas. estranho pois há anos sou fã de seus textos, de suas canções, de sua biografia. antônio maria, para quem não sabe, foi um dos mais importantes cronistas cariocas no (rico e turbulento) período que vai de meados dos anos 1950 até 1964, ano de sua morte. mas foi mais: era um personagem central do (charmosíssimo) rio de janeiro (e por conseguinte do brasil) daqueles anos. para se ter uma (vaga) idéia do que houve: suicídio de getúlio vargas, eleição de juscelino, tensões políticas dentro (luta de classes, revolta no campo, “perigo comunista”, consecutivos escândalos promovidos por carlos lacerda e udn...) e fora do país (mcarthismo e guerra fria em seu ápice – vide cuba e a corrida espacial), nascimento de brasília, surgimento da bossa nova, do movimento concretista (na poesia e nas artes plásticas) e do cinema novo, conquista do primeiro e do segundo campeonatos mundiais de futebol pela seleção brasileira, dentre vári…

sobre este primeiro de janeiro:

antes de falar da posse da primeira mulher presidente do brasil, gostaria de relatar o que vi ontem, dia 31, pouco antes do fim da tarde, nas ruas de porto belo (enquanto voltava da praia). não gostaria de ter assistido tal cena, mas penso que ela diz muito sobre o país em que vivemos: de um carro, destes enormes e caros (importado), um grupo de jovens bonitos, malhados, atirou um rojão contra um catador de rua – destes que levam em seus carrinhos papelão para reciclagem...
hoje, dia primeiro de janeiro de 2011, foi o dia da posse da sucessora de luiz inácio lula da silva. eu, ao invés de ir pro mar/areia, preferi ficar na frente da tv... votei em dilma rousseff. mais que isso, fiz questão de me colocar publicamente como seu eleitor. agora, isso não significa que tenha mudado tão rapidamente (do primeiro para o segundo turno) de crítico ao pt e à sua candidata para seu “fã”. a questão é que, entre não concordar com muitas “escolhas” do partido que se manteve no poder nestes últimos oi…