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amanhã começa o verão:

se amanhã começa o verão, que tal se despedir a gente se despedir da primavera?!? trouxe aqui um texto feito para a resvista de divulgação da temporada que o tijuquera fez na célula em outubro e novembro últimos - projeto sexta sim. minha idéia foi, de algum modo, fazer uma espécie de boas vindas a estação - mas mais ainda, quis homenagear algumas das pessoas que fazem floripa melhor... tenho orgulho deste escrito - e de ter participado da temporada, claro. meu orgulho se dá, em grande parte, por causa do momento de que vinha e da maneira como me coloquei diante do que poderia vir (e veio). explico, meu inverno não foi apenas frio, foi tristíssimo...

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Sexta sim, Sexta sim, e nada de “não” nessa primavera!

Quando Marcio Costa me pediu um texto, quis não ser linear e escrever sobre como é possível se divertir em Florianópolis na primavera – sexta sim, sexta sim. Eu quis não discutir questões teóricas (e/ou práticas) sobre a geração de músicos, artistas, compositores e bandas de Santa Catarina da qual pertenço e que vive um momento de reinvenção, reconstrução, recomeço (que o digam Samambaia Sound Club, Tijuquera, Sociedade Soul, Aerocirco, Muniques, Jeremias Sem Cão, Jean Mafra – sim, e porque não? – dentre outros...). Quis cantar o carnaval fora de época da noite da cidade que amo e que às vezes me cospe um trânsito infernal no fim de tarde barulhento do trajeto ilha-continente, ou me beija um bafo doce-salgado de mar sob a noite de vento frio. Eu quis deixar para lá qualquer resmungo e gritar num sussurro cantado: nesta sexta sim, pra começar: um bom banho de mar. E quis não entender como o Clube deixou de ser uma coisa para vir a ser outra, mais ampla, mais arejada, mais dispersa, mais e menos interessante, mas não menos importante. Eu quis não me fazer entender de primeira. E nem explicar coisa nenhuma.

Não quis gritar com ódio o nome do prefeito, quis cantar com amor o apelido do cidadão.

Eu quis a companhia de quem ama essa cidade e não quer isso ou aquilo, mas isso e aquilo. Quis querer o querer de quem se diverte na Célula e no Jivago, na Lagoa e no Centro, no boteco e na buati (nas 1001 noites, em 1007 vezes). Eu quis fazer um samba em homenagem à nata da malandragem: Paulo Vasilescu & Marcio Costa, Emília Carmona & Guilherme Zimmer, Vina & Mutley, Tatiana Cobbett & Marcos Espíndola, Cristaldo de Souza & Tiago Franco, Bruno Barbi & Rodrigo Daca, Felipe Melo & Fábio Brüggemann, Ulysses Dutra & Você... Sei lá, preferi gostar das coisas que a gente pode ter aqui e agora e quis não gastar papel em apontar questões & discussões. Pertinente agora, sexta sim, sexta sim, é querer o querer de quem merece ser querido.

Quando Marcio Costa me pediu um texto, podia ter pedido qualquer coisa. Pois eu quis não dizer não. E ainda quero: sexta sim, sexta sim. E por quê? Porque sim, ora!

(antes do fim: um sim, assim “pálido e tenso” – antes que chegue escandalosa a punhalada do silêncio)

Comentários

tatiana cobbett disse…
Sexta...sim....o não, não nos convêm....o ano passou marcando...nem tudo foi em vão....e nos aprendemos mais....verão!!!!
vamos nos desnudar....e re-afirmar nossas vestes....sons... expressões, impressões....içaaaaaa!!!

te quero imenso bem... meu Mafra Jean....e sou grata por compartilhar tanto....salvas ao artista brasileiro!!!

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