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Mostrando postagens de Outubro, 2008

poesia:

foi numa (revista) bravo! de 1998 que li a primeira vez o nome de ana cristina césar. ali, o crítico e poeta e polemista, bruno tolentino dizia horrores da artista carioca, que na época voltava ao noticiário cultural graças a uma reedição de seu livro a teus pés. só fui saber quem era ana c. alguns anos mais tarde, e mesmo que não tenha sido nenhum entusiasta daquilo que tolentino consagrava como o melhor da literatura, tive alguma desconfiança inicial com a "obra" da poeta. isso porque, desde que me entendo como "consumidor" de filmes, discos, livros, etc, levo em consideração o que diz a crítica. 
penso, até, que se existem alguns jornalistas da área musical que são chamados de músicos frustrados, eu, por minha vez, não deixo de ser também um crítico frustrado. não escondo minha admiração por gente como pedro alexandre sanches, andré forastieri (e seu humor ácido e divertido dos bons tempos) jean yves de neufville e outros. a formação do meu gosto musical e literá…

demo-cracia.

houve um tempo, num país distante, em que um povo, quase sem opções decentes, só elegia os piores para os governar. se haviam dois candidatos, um ruim e um pior, um ladrão e outro mais ladrão, um enrustido e um delator, um assim e outro mais assim ainda, as pessoas não tinham dúvida, votavam em quem tinha mais cara de novela das oito.


foi há muito tempo, e num longínquo país.


(ai, quem me dera vomitar na careca do governador!)

sobre antes de antes de ontem:

aí que na terça a samambaiasoundclub entrou num estúdio para gravar não para o cd com as 12 canções finalistas do femic — festival, que ocorreu em maio e que terá um disquinho lançado até dezembro próximo (ao menos foi essa a data estipulada por sua produção). dia divertido.
divertido pois se para um músico estar em estúdio já é uma delícia em si, imagine como é estar com pessoas competentes com quem se gosta de trabalhar: é divertidíssimo. e foi nesse clima que gravamos não — já conhecida daqueles que acompanham os shows da ssc — com o auxílio de fernandomenezes efelipe melo (a equipe do gotan estúdio), um pequeno manifesto do hedonismo niilista (uma teoria filosófica que ainda existirá!)... vamos a letra:
não, nem um paralelepípedo
ou um intempestivo gesto
nem o resto e nem a calma
ou os carros que a cidade
nos atira como facas
nem as parcas condições
e os senões que se amontoam
não, nem que imensos ratos roam
minha roupa e minha carne
nem a par e nem alheio
ou um imeiu com um vírus
nem com liv…

sexta-feira última:

essa sexta, dia 17, foi de correria para mim. saí de casa pela manhã e segui para o sesc estreito onde contei histórias para algumas crianças. em seguida foi vez de um outro grupo, para quem apresentei meu espetáculo cabra cabrez e outras histórias, no teatrinho da biblioteca barreiros filho. depois de algumas andanças e de um divertido papo com rodrigo daca, john bosco e taninha (da dupla john & taninha), segui para o teatro sesc prainha, onde aconteceria o show do trio ponteio.

os virtuoses eduardo pimentel (brasil papaya), marcos gaiteiro e cristian faig, se juntaram para percorrer o estado através do projeto regional brasil, iniciativa do sesc (que apesar do tom conservador imposto pelo responsável pela parte musical de grande parte dos projetos da instituição em seu departamento nacional, wagner campos, tem lá seus acertos...). reunindo chamamés, milonga e até uma incursão pelo tango estilizado de piazzolla, o rapazes brindaram os (poucos) presentes (graças a torrencial chuva …

dobra/com que cara 2

dobra está lá, no myspace, e aqui, para ser baixada.

quem mais falou sobre a canção, o lançamento do single, do blog e etc, foi o jornalista rafael weiss, do mundo 47 - vá lá. ______________________________
outra coisa, a trilha da peça onde você estava quando eu acordei?, foi disponibilizada - uma parte dela, na verdade, como single, também no myspace, e aqui. sobre este projeto (que terá reestréia, no rio, no próximo mês) falo na semana que vem.

ainda nem comecei a faxina que deveria ter terminado

a questão é que, ao invés de limpar a casa, fico pensando um monte de coisas e uma delas, de tão urgente (para mim, claro), me trouxe aqui: o albumcaetanoveloso, de 1969 (aquele gravado por um quase exilado - a história é a seguinte, caetano, em poder dos militares, grava a voz em salvador e, impedido continuar no país, deixa o material aos cuidados de ninguém menos que rogérioduprat, que produz arranjos e tudo o mais em são paulo). o disco é fantástico, um dos meus preferidos, e foi o responsável por me fazer sentar na frente do computador.

nos últimos dias, muito por causa do comercial da vale, venho reouvindojoãogilberto sem parar e pensando em como gosto de sua música e em como me entedia e incomoda esse oba-oba todo em torno daquilo que se auto-denominou bossa nova. carloslyra, que é um grande compositor (quem sou eu para negar), alfinetou recentemente, numa entrevista, joãogilberto, por este dizer (e desde o começo dos 60's - é só verificar lá no livro do ruy castro) que faz…

o que está acontecendo (???):

em um intervalo de menos de 48 horas os três mais destacados nomes da cena eletro-rock (ou seja lá o nome que você queira dar para pop feito a partir de elementos eletronicos) de florianópolis, ignorando a idiotia do resultados eleitorais recentes (ao menos por aqui, já que no rio há ainda uma esperança...), põe na rua nada menos que 1 single, 1 ep e 1 álbum.
agora é dançar:
com o discobot, que vem com a poderosa lights out. ou o superpose, do ep - 4 faixas (deliciosas) - dance me (cuja a faixa título tem minha, orgulhosa, participação). ou, por fim, com o mottorama, que chega com um álbum homônimo.

é isso. dá para conferir os trabalhos no myspace e não dá pra negar a vitalidade da cena local.

...um poema (de fábio corrêa)...

reproduzo aqui um poema do meu amigo fábio corrêa - que além do doutorando em teoria literária e poeta, é também meu parceiro musical. o autor, que só deixou esse textinho, meses atrás, no blog antro — um desdobramento do ótimo site ciberarte de aleph ozuas — diz (como se desculpasse) ter escrito estes versos a mais dez anos...


donzelinha do brasil
donzelinha, não ligues pro que dizem de ti é por inveja, má fé ou mau gosto que essa gente te chama aqui por apelido, há muito, já posto
não ligues para as bobagens dessa gente insensata e inculta: que cultura não tem na bagagem e, por isso, te chama de puta.
não dês atenção a tolos boatos que espalham e que por aí correm menosprezando teus sublimes atos com impropérios que falsamente os forrem.
dizem que da tua janela dás um minuto pra te apalparem os seios. e de imediato, por o tempo ser demasiado curto, assemelham-se os homens a carrapatos.
trata, donzelinha, com muito despeito a quem, sem causa, te diz vagabunda só por metade da cidade te chupar os peitos …

eleições 2008

mesmo não havendo um candidato decente para se votar, não dá para votar nulo, ainda assim. tá, é cool e tal, mas é bobagem. não dá para se deixar levar por essa coisa blasé irresponsável. se não se fica igual essa galerinha bacanuda que usa roupinha tchan e cabelinho tchun e conhece mil coisas super desconhecidas e legais e odeia tudo que parece vida real. a vida real tá aí e a gente precisa votar.


tive uma professora de literatura brasileira contemporanea que dizia que via novela porque queria ter o que conversar com as pessoas "normais". ela dizia isso de brincadeira, mas no fundo estava dizendo algo relevante. eu não vejo novela mas penso que nós, que gostamos de lcd soundsystem, julio medem e ivana arruda leite, temos que tentar evitar de criar um muro em torno a gente. sim, há bruno & marrone e eles é que são os fodões - e será que não há nada de interessante neles? sei lá, esse papo deveria se desenrolar e se desenrolar... mas não agora (entre razões e emoções, a sa…

florian bill, quem já ouviu? (um bom disco...)

escrevi este texto para a última edição da revista catarina, ainda nas bancas...

um bom disco para se ouvir num dia frio
por aí: fone de ouvido e a trilha sonora do filme em que estrela sou eu


roubaram a droga do meu mp3-player. e bem quando resolvi que iria escrever sobre discos para se ouvir nessas pequenas maravilhas que carregamos conosco em ruas, aeroportos, museus, shoppings de nossa agitada vida no inverno de 2008. minha idéia inicial era lhe apontar alguns álbuns que, em minha (nada) humilde opinião, poderiam tornar sua ida ao trabalho, à balada ou ao dentista, mais divertida e cool que o som de buzinas de algum engarrafamento.

foi em frente ao meu pc, em casa, e não em pleno centro da cidade com um laptop, que abandonei minha idéia primeira e me deixei levar, pelo que lhe apresento agora, um pequeno tesouro que descobri recentemente no myspace... eu iria iniciar meu texto falando da alegria que há em, num dia frio, poder passear por aí com a elegância do seu cachecol preferido ou…

coisavária:

vivemos em macondo??? florianópolis é uma ilha cercada de chuva por todos os lados ou é impressão minha?
passei a tarde com isaac varzim, mixamos mais duas canções e me sinto cada vez mais feliz com os rumos do disco. isso não significa que não me sinta inseguro também.

o myspacetem se mostrado um divertidíssimo modo de divulgar minhas canções - recebi elogios de artistas que admiro e de que não esperava nem um "hi". aliás, não só divertido, mas também, surpreendente, ao menos para as minhas modestas expectativas iniciais, afinal, em um único dia tive mais de 200 plays em meu perfil (êêêêêêê!!!). e quanta coisa boa há por aí, cacete, dá uma preguiça (quem lê tanta notícia?)...

passei boa parte do dia dentro de um ônibus - da minha casa até o home estúdio do superpose tenho que pegar três - e nisso reouvi um novo album que adoro: wild animals dos pinker tones (duo espanhol que poderia ser classificado como world music, pois além de cantarem em inglês, espanhol, francês e alemã…