
e florianópolis, como vai?
vai muito bem, obrigado, ao menos quando se fala na produção musical autoral da
cidade. existe muita coisa bacana, muita coisa ruim, existem "coisas" para todos
os gostos, afinal... ainda não tem crítica, claro, mas não tem jornalismo cultural também, nem público constante ou políticas de apoio à cultura. além, os espaços são pouquíssimos. porém, todavia e ainda assim, há o que se ouvir e amar (ou não). ouvi e reouvi dois trabalhos, entre os que mais me
interessaram, por motivos vários (amizade, admiração e desejo
de gostar do que poderia sair dali), desta nova leva local. me debrucei apaixonado sobre os registros de estreia do karibu e do café da manhã. minhas expectativas,
embora não fossem pequenas, não foram desapontadas. ainda assim, queria
mais, mais surpresas. menos zona de conforto e mais risco.
sobre a café, falo depois. e falo ainda, em outro momento, de outros nomes: caraudácia, antonio rossa, juliano malinverni & indisciplina, nebula dogs e mais o que puder, pois muito tem me interessado. pena não ter hoje o tempo e a vontade de escrever que tive em outras épocas.
(quem sabe, talvez seja melhor assim?!)
karibu, o álbum, tem muitos
predicados que não me agradam ou interessam, por assim dizer. a começar pela capa que, a despeito
de sua beleza, me lembra algo daquele artesanato chinfrim que se derrama por sobre as calçadas
da lagoa da conceição e da lapa, para ficar em apenas dois
bairros que amo. aliás, é essa atmosfera hippie, de modo geral,
aquilo que acho menos atraente em parte da produção musical daqui, principalmente a
que é mais ligada ao que ainda chamamos mpb (de preguiçosos que somos). a coisa hippie é
o que faz muitos artistas caírem em algo um tanto desleixado em
letra, arranjo, conceito. este não é o caso, que fique claro. até mesmo por uma
outra questão, o fato do trio, formado pelos grandes musicistas françois muleka, max tommasi e trovão rocha, poder ser
facilmente classificado como formalista. ou seja, há esmero em cada detalhe destas faixas. sim, esse é outro ponto que não
costuma me atrair (formalismo, não esmero)... mas, afinal, importa isso?! quem sou eu nessa história? ninguém. sou
apenas mais um que gosta de música, que adora palpitar e têm interesse na
produção artística da cidade. mais, quero gostar do que é feito pelos
meus contemporâneos. sou alguém que insiste e que amou o todo deste karibu, álbum/banda, AINDA ASSIM.
o fato de moços se preocuparem às vezes por demais com o "ré sustenido com quarta sus", harmonias complexas
e tempos musicais (infelizmente) um tanto quanto incomuns e ainda insistirem em
certo purismo (semi) acústico, faz suas canções parecem por demais umas com as outras,
apesar do apuro dos arranjos. ainda que pareça contraditório meu argumento, é esse o sentimento inicial ao se deparar com as 11 faixas suas. um efeito no baixo aqui, uma guitarra acolá ou algo assim, provavelmente trariam um colorido extra ao todo e enriqueceria ainda mais este painel. tanto é que a participação vocal de marissol mwaba ilustra essa sugestão-possibilidade, pois ajuda, de algum modo, a iluminar algumas canções.
as letras de muleka, embora não estejam AINDA a altura de algumas de suas sinuosas melodias, são, de modo geral, acima da média (local ou não, que fique claro!). os dizeres de entrando no país das maravilhas ou de acordo beijo, para ficar em dois exemplos apenas, se desdobram em novos significados a cada nova audição...
daí, friso: que bonito disco. ouça já e discorde de mim.