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"são tantas as verdades da cidade":

a entrevista chapa-branca em que o atual prefeito de "florianópx" se diz vítima de uma "elite que nunca o engoliu", publicada no diário catarinense ontem, quarta-feira (aqui), coincide com mais arrombamentos à lojas do centro (eles vem se multiplicando nos últimos meses). mesmo dia, aliás, em que o irmão de uma grande amiga foi atacado por um morador de rua, que lhe golpeou a cabeça com uma barra de ferro. 
não nos esquivemos, há sangue nas mãos destes homens públicos.
é outubro e eu já não tenho mais ilusões. a política segue seu faz de conta desenhado por uma imprensa que, salve raras exceções, não faz jornalismo, mas propaganda. todo mundo tem que pagar as contas, dirão alguns, não sem razão.
a entrevistadora não pergunta sobre o não investimento em cultura (e aqui cabe meu arrependimento por ter acreditado em um secretário de cultura que nada fez além de jogo de cena), sobre a escola de música, sobre o transporte público e seu faz de conta, sobre os escândalos na …
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"a luta é de tudo e de todos":

o momento é complexo, tenso e triste, daí, assim sendo, é preciso sair da zona de conforto e se posicionar. nunca me senti "de esquerda", embora jamais tenho sido de direita, claro. via a esquerda como "bunda-mole" (no sentido de "careta", pouco arrojada, esquemática, com visão estética simplória), mas, em virtude do que vivemos (o golpe, a ascensão de um neo-fascismo aqui, ali, acolá), passo a me declarar de esquerda, sim. talvez eu seja de "sua ala festiva"... provavelmente. 
recentemente, se desdobrou uma polêmica de feyçybuque na cidade de florianópx: meu amigo, o cartunista frank maia, depois de assistir a uma atitude intempestiva de um dos proprietários do gato mamado (bar que tem como parte de seu público jornalistas, artistas e boêmios que, em sua maioria poderiam ser classificados como esquerdistas) contra manifestantes, ao fim de mais uma "passeata fora temer", isso durante um confronto com a polícia nas imediações do estabele…

conta comigo:

lá ia eu, noite adentro naquele ônibus sob um céu sem estrelas, ao lado de uma desconhecida e seu ronco. em mim, a tentativa de juntar nomes, fatos, datas e canções em meu quebra-cabeça particular. ia com uma espécie de aperto gelado entre a barriga e o peito. difícil descrever minha angústia sem usar algum clichê... meu domingo ia tranquilo quando recebi a notícia que me arrasaria. 

em minhas memórias eu era outro, diferente do que sou: era um menino de 13 anos. no agora sou um homem de quase 40 que anda triste com o que o rodeia. vivo em um país à beira do colapso com cidadãos furiosos, engendrados em uma teia de ódio & oportunismos & meias verdades. mas quem era eu dentro daquele ônibus? o menino de 1990/91 ou o homem de agora? tenho duas filhas, faço canções doídas e as canto para poucos. dentro de mim, em minha poltrona, através da janela, eu era a soma do que fui, do que sou e do meu entorno nos dois períodos. 
em uma outra noite fria, isso há 25 anos, assisti pela primeir…

o brasil, a cidade, o samba e essas mulheres:

florianópolis, fins de agosto de 2016: pesquisa aponta angela amin como primeira na "corrida para a prefeitura", seguida de perto por gean loreiro. dois vassalos dos de sempre. ambos em partidos golpistas de agora e antes (sim, o pmdb é, ao contrário do que costuma pintar, fruto do faz de conta que chamava de revolução um golpe, a tática foi e é negar o inegável). aqui não é diferente de outras capitais e interiores do brasil brasileiro, in-fe-liz-men-te. fins de agosto e há gente na rua contra o governo interino-golpista, mas há mais ainda, como sempre. há muita gente por aí tentando ganhar algum, pois a crise é brava e não dá arrego. semana passada vi alguns destes perdendo seus produtos, cercados pela polícia e fiscalização. havia uma senhora chorando e pedindo para que não lhe tirassem o "ganha pão". ela, como vários outros dos que se viam cercados, era imigrante. essa é a nossa cidade hoje. esse é o nosso país. 
noite de domingo, rancho do neco cheio. lugar sim…

vivendo num país sedento:

no diálogo do romero jucá com o sérgio machado, há citações a aécio, serra e gilmar mendes... na entrevista dada por sônia braga para divulgar o filme aquarius, ela (que mora nos u.s.a.'s) fala de "orgulho/vergonha" de ser brasileira. em entrevista recente, dilma escancara: a grande mídia brasileira lhe quer fora do poder.
receberemos uma olimpíada, algo antes inimaginável para a minha geração! vivemos um golpe, algo igualmente impensável há alguns anos (não?!). nosso potencial como nação não deveria ser questionado, penso. curioso que a maioria de nós tenha esquecido (esqueceu?!) que até 2012 vivíamos um período em que era possível sentir orgulho da virada brasileira... (sim, eu ainda tenho orgulho)
obviamente que existem fatores externos que contribuíram para atual crise. não se nega também os equívocos do governo dilma, ok?! o que espanta, no entanto, é ver como as pessoas se fiam por uma imprensa vendida, que tem vergonha do nosso país/povo (somos quem podemos ser, son…

ânimo novo:

transito em transe e
em meu atraso trago:

traje de banho ânimo novo ovo em conserva erva da boa e o que me soa música vida densa, dura, trágica e o que nos resta além da festa?!

(eu sou do tipo que faz comício  e tem horror a compromisso)

eu vivo o feio e o belo:

não tenho tido medo de expor minhas dores. aceitar o fato é dizer também que o que me motiva não é o holofote, mas o querer estar inteiro e "sem maquiagem". é fugir do lugar mais cômodo... em 2015, atravessei um período difícil (coisas do mundo, minha nega). o pouco dinheiro, a falta de perspectivas (pessoais e artísticas) y otras cositas más quase me asfixiaram. fiz uma pausa e desde então me sinto no ar. poucos planos, quase nenhuma direção. foi difícil e triste, sim. vivi ainda a infeliz coincidência do falecimento de amigos naqueles dias. mas o tempo cicatriza e o tal sentimento, "de estar no ar", me fez bem. todavia, o vento começou a mudar a partir de fins de novembro passado, quando eu e andré seben nos sentamos no chão da loja pulp (em um antigo casarão no centro da nossa cidade) e criamos rush de amor à ilha.
meu orgulho não se resume ao resultado dessa empreitada, se estende ao que me foi trazido no seu processo de construção: confiança. de lá para cá fiz…