domingo, 15 de fevereiro de 2015

preferia enumerar outras coisas:

depois que o carnaval passar, o pior está por vir? talvez sim, provavelmente. mas afinal, quem são os exaltados? o povo está na rua? a classe média não é povo? e o que é a elite (que elite? financeira?). a rua, afinal, é lugar de quem? 

a grande-imprensa-livre-leve-solta cospe seu ódio contra um governo de mãos atadas. em seu comando, do governo, há uma idiota coagida, diga-se de passagem (incompetente, principalmente, em sua comunicação com seus pares e adversários). mas vítima, SIM (também, ora), de manobras dos que não lhe querem lá. e os que não lhe querem no poder não são exatamente o bombadinho-semi-alfabetizado-que-diz-"top"-quando-quer-dizer-"foda" e que se acha "ligado", nem a senhora-cristã-horrorizada-com-tudo-que-aí-está ou o "pai-de-família"-homofóbico-que-odeia-"comunista", mas a máquina manipuladora por trás deles. eles que não creem na máquina, que distrai toda a gente com sua(s) novela(s). a máquina é poderosa e, por sua vez, está apenas defendendo os privilégios (e o dinheiro, claro) dos seus. e existem tantos interesses em jogo... o meu, o seu e os deles. ganha quem tiver mais força. 

eu, coitado, sou as minhas palavras e palavras são muito pouco ou quase nada. 

esteja claro: a violência de fato ainda não explodiu. a violência ainda virá. os golpes (baixos) virão. 

houve uma vez, em um país outro, muito distante deste, um presidente trabalhista execrado pela "elite" e pelos grandes veículos de comunicação (que lhe viam surfando em um mar de lama). esse presidente também teve suas mãos atadas. esse presidente também errou ao tentar se aliançar com a direita intransigente que defendia os interesses da máquina (no afã da dita governabilidade). esse presidente permaneceu em seu lugar até um ato de violência lhe ter sido atribuído. daí em diante, veio mais violência, agora contra o poder constituído democraticamente. e essa violência, lá naquele país tão distante, há 61 anos, é a mesma que pode vir a se desencadear, talvez, aqui. 

não? um golpe de força, um golpe de vista, um golpe certeiro, um golpe apenas... será? como? são tantos os exemplos, mas só um já basta: um atentado contra a imprensa livre-leve-solta-que-cospe-seu-ódio poderia ser tachado como terrorismo e se desdobrar em dias piores. eu sei, sou um babaca-com-mania-de-perseguição-citando-teorias-conspiratórias, então, mas, creia-me, essa foi e continua sendo uma das estratégias de um poderoso país do norte a quem não interessa o que está aí. e as torres gêmeas e pearl habor são duas ficções a não serem ignoradas. 

depois do carnaval, o que teremos? dias de ódio? dias de golpes? dias de diálogo? "se temos uma terrorista no comando", dirá o bombadinho-semi-alfabetizado com os que tem desprezo para o que está além do seu micro cosmo. você que me perdoe pelo devaneio entrecortado, mas eu preciso destas palavras escritas.

(e a foto aí de cima não é carnaval)

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

jazz:

em 1994 a folha de sp fez uma matéria sobre a então hypada cena de "acid jazz", pois dois de seus destaques se apresentariam no brasil via free jazz festival. lia o jornal ao menos duas vezes por semana na biblioteca pública do estado e fui atrás daqueles artistas: us3 (que então bombava no rádio com cantaloop (flip fantasia)) e guru e o seu jazzamatazz (os mais jovens talvez não saibam, mas ir atrás naquela época, para um adolescente duro como eu, era alugar algum cd, quando havia, na muzak cd club, e grava-los em k7). o ponto é que fiquei fã, descobri também arrested development e digable planets, mas não me contentei, fui atrás da matéria prima desses grupos, o tal do jazz... 

no início, me senti burro, pois não conseguia gostar do estilo. não era tão melódico, não tinha vocal e nem tinha uma batida constante... comecei pelos intricados solos de charlie parker, o que, claro, dificultou um pouco as coias para alguém condicionado pelo(s) pop(s). mas passei meses reouvindo jazz quase todas as manhãs, para acostumar o ouvido. pensava que se tanta gente inteligente amava aquilo, o problema estava em mim. estava certo. virei fã de artistas como miles davis, charles mingus, herbie hancockchet bakermahavishnu orchestra e vários outros. por causa desse mergulho passei a re-ouvir o que já conhecia com outra perspectiva. hoje me sinto um ouvinte livre, mas não apenas: me sinto mais livre como sujeito (pois continuo mergulhando em outras "ondas" desde então).

tenho pensado nesse meu processo de descoberta e em como ele me afetou, há 20 anos. vejo como fundamental, para todos e não apenas para mim, tentar pensar para além dos nossos círculos. 

talvez esse seja um texto sobre política, como tudo é. o fato é que depois de tantas discussões acaloradas nas últimas semanas, tenho sentido que preciso estudar mais, ler mais. acho que alguns dos meus posicionamentos não estão tão maduros... talvez nunca estejam. como no jazz, a gente pode sempre fazer melhor, fazer diferente. o que me entristece é que não consigo vislumbrar tanta gente (re)pensando suas convicções, se colocando em cheque. talvez falte jazz a esse povo.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

voto:


estava decidido a votar em eduardo jorge. mas repensei: se é possível não termos segundo turno e o risco de marina virar presidente, por que não adiantar as coisas?!

não que dilma tenha feito um grande governo. mas ela pode fazer mais e melhor que os outros dois candidatos com chances. isso por causa daquele que me parece O PONTO nesta eleição: SOBERANIA. a criação e a força dos BRICS incomoda os u.s.a. e é, sim, de interesse do "tio sam" que tenhamos um presidente menos alinhado com outros emergentes. não é preciso crer em "teorias conspiratórias" para entender que "eles" preferem marina ou um aécio. entender onde esse grupo (brics) pode chegar e está chegando, pensar que o crescimento da petrobras incomoda outras grandes (e PODEROSÍSSIMAS) empresas do ramo e aceitar que o brasil pode ser protagonista global me fazem querer mudar de candidato.

votar para presidente não deve(ria) ser um exercício de ódio ou amor ao pt.

claro, é fundamental tentar enxergar para além do que vemos, ouvimos e lemos através de veículos da rede globo, da editora abril, do grupo bandeirantes e da folha de sp. afinal, essas empresas tem em comum uma visão liberal e pouco crítica em relação a "experiência norte-americana".

todavia, é preciso também pensar o que há de errado na continuidade do poder na mão do partido dos trabalhadores. seria ótimo "reoxigenar" o poder. mas não há nenhuma candidatura que concilie chances reais e projeto de país com SOBERANIA. por isso votar 13 para presidente não tem a ver com esquerda ou direita, mas com se entender no mundo e recusar o "complexo de vira-lata" que ainda assombra alguns brasileiros.


quinta-feira, 11 de abril de 2013

discotecando no blog:


então, então, sem mais delongas, um passeio pelo mundo colorido das periferias cheias de groove. música suingada, feita pelos mestiços daqui, dali, dacolá. É NÓIX.

e tem mais aqui.

terça-feira, 2 de abril de 2013

nunca durma:

estou dormindo há meses e é provável que abandone as minúsculas. fazer o quê? seguir adiante e me doar, doar meu tempo, ao que é mais importante agora. lamento, pois sempre tive prazer em manter esse espaço. 

o que me traz aqui hoje, na verdade, é um trecho de uma ópera de giacomo puccini. aliás, o mais popular de toda sua obra: nessun dorma (nunca durma) - parte final de turandot (há uma versão sua completa disponível no youtube, !). queria ter a manha de seu mais conhecido divulgador, o tenor luciano pavarotti, que de tanto que a interpretou (quase sempre lindamente), mesmo quando, em seus últimos anos, já não tinha o mesmo brilho vocal, teve inteligência de, sabendo os caminhos dessa melodia, fazer emocionar e se emocionar com a emoção alheia... 

tenho tido muitas ideias de textos, iniciei alguns, mas, infelizmente, não segui adiante com nada que prestasse ou estivesse à altura de minhas ambições. o ponto, na verdade, é que saber a hora de parar é também ter inteligência. quem sabe um dia eu volte?! quem sabe semana que vem?! e, assim, talvez, o meu beijo quebrará o silêncio que te faz minha (tu, palavra).


"ed il mio bacio scioglierà il silenzio
che ti fa mia"

quarta-feira, 20 de março de 2013

karibu (parte um):



e florianópolis, como vai? vai muito bem, obrigado, ao menos quando se fala na produção musical autoral da cidade. existe muita coisa bacana, muita coisa ruim, existem "coisas" para todos os gostos, afinal... ainda não tem crítica, claro, mas não tem jornalismo cultural também, nem público constante ou políticas de apoio à cultura. além, os espaços são pouquíssimos. porém, todavia e ainda assim, há o que se ouvir e amar (ou não). ouvi e reouvi dois trabalhos, entre os que mais me interessaram, por motivos vários (amizade, admiração e desejo de gostar do que poderia sair dali), desta nova leva local. me debrucei apaixonado sobre os registros de estreia do karibu e do café da manhã. minhas expectativas, embora não fossem pequenas, não foram desapontadas. ainda assim, queria mais, mais surpresas. menos zona de conforto e mais risco

sobre a café, falo depois. e falo ainda, em outro momento, de outros nomes: caraudácia, antonio rossa, juliano malinverni & indisciplina, nebula dogs e mais o que puder, pois muito tem me interessado. pena não ter hoje o tempo e a vontade de escrever que tive em outras épocas. 

(quem sabe, talvez seja melhor assim?!)

karibu, o álbum, tem muitos predicados que não me agradam ou interessam, por assim dizer. a começar pela capa que, a despeito de sua beleza, me lembra algo daquele artesanato chinfrim que se derrama por sobre as calçadas da lagoa da conceição e da lapa, para ficar em apenas dois bairros que amo. aliás, é essa atmosfera hippie, de modo geral, aquilo que acho menos atraente em parte da produção musical daqui, principalmente a que é mais ligada ao que ainda chamamos mpb (de preguiçosos que somos). a coisa hippie é o que faz muitos artistas caírem em algo um tanto desleixado em letra, arranjo, conceito. este não é o caso, que fique claro. até mesmo por uma outra questão, o fato do trio, formado pelos grandes musicistas françois muleka, max tommasi e trovão rocha, poder ser facilmente classificado como formalista. ou seja, há esmero em cada detalhe destas faixas. sim, esse é outro ponto que não costuma me atrair (formalismo, não esmero)... mas, afinal, importa isso?! quem sou eu nessa história? ninguém. sou apenas mais um que gosta de música, que adora palpitar e têm interesse na produção artística da cidade. mais, quero gostar do que é feito pelos meus contemporâneos. sou alguém que insiste e que amou o todo deste karibu, álbum/banda, AINDA ASSIM.

o fato de moços se preocuparem às vezes por demais com o "ré sustenido com quarta sus", harmonias complexas e tempos musicais (infelizmente) um tanto quanto incomuns e ainda insistirem em certo purismo (semi) acústico, faz suas canções parecem por demais umas com as outras, apesar do apuro dos arranjos. ainda que pareça contraditório meu argumento, é esse o sentimento inicial ao se deparar com as 11 faixas suas. um efeito no baixo aqui, uma guitarra acolá ou algo assim, provavelmente trariam um colorido extra ao todo e enriqueceria ainda mais este painel. tanto é que a participação vocal de marissol mwaba ilustra essa sugestão-possibilidade, pois ajuda, de algum modo, a iluminar algumas canções. 

as letras de muleka, embora não estejam AINDA a altura de algumas de suas sinuosas melodias, são, de modo geral, acima da média (local ou não, que fique claro!). os dizeres de entrando no país das maravilhas ou de acordo beijo, para ficar em dois exemplos apenas, se desdobram em novos significados a cada nova audição... 

daí, friso: que bonito disco. ouça já e discorde de mim.

terça-feira, 19 de março de 2013

caribbean power:


bomba estereo ao vivo. esse vídeo reiterou a vivacidade dessa canção em minha cabeça e me encheu de ideias. mais, essa trilha fez o frio e a chuva que alagam minha cidade-ilha parecerem distantes. e o calor se fez presente (sim, estava precisando).

segunda-feira, 11 de março de 2013

filme de segunda - caótica ana (COMPLETO):


quem assistiu lúcia e o sexo ou amantes do círculo polar, sabe: julio medem tem um jeito muito particular de contar uma história. a quem interessar possa, segue aí, abaixo e na íntegra, um outro exemplo de sua arte: caótica ana (espanha, 2007).

quarta-feira, 6 de março de 2013

para combater o cinza:


para animar o meio da semana, o dia cinza e a chuva no horizonte: três canções, três vídeos. 

(a foto acima é do meu amigo eduardo valente)